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quinta-feira, 15 de maio de 2014

Across the Universe

http://www.sonypictures.com/movies/acrosstheuniverse/



Jude é um garoto comum de Liverpool que deposita todos seus sonhos e anseios em um encontro com o pai, que mora na América. Porém, quem o acolhe na nova terra é Max Carrigan que, além de guia-lo por suas aventuras universitárias, lhe apresenta a sua irmã, a perfeita Lucy. Juntos, os três cantam e vivem a alma agitada dos anos 60, desde o movimento da contracultura até os violentos protestos contra a Guerra do Vietnã.

O romance conturbado de Jude e Lucy se desenrola em um musical, usando muitos sucessos interpretados pela banda The Beatles para levar o ritmo da história, com doses equilibradas de humor e seriedade que de fato coloriram essa década. O longa não se aprofunda muito em nenhum dos temas que aborda, mantendo a essência teatral que pode agradar ou desagradar, dependendo do gosto. Muitas vezes, se utiliza de interpretações alternativas das canções, convenientes para a trama, que não acerta 100% todas as vezes, mas não chega a prejudicar.

Com atuações satisfatórias e boas vozes, o elenco não decepciona. O destaque fica para Dana Fuchs (Sadie) e Martin Luther McCoy (Jojo), que brilham ao interpretarem suas músicas. A sempre linda Evan Rachel Wood (Lucy) e Jim Sturgess (Jude) convencem de sua química em cena, mas não chegam a ser um casal carismático. Joe Anderson (Max) e T. V. Carpio (Prudence), por outro lado, são excelentes coadjuvantes, ambos personagens muito mais interessantes.

O filme é uma ótima sugestão para um programa em família e casal, especialmente para os fãs do grupo The Beatles.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club)

http://www.focusfeatures.com/dallas_buyers_club



Qual é a força de um preconceito? Um único fato é capaz de apagar tudo o que você é para te transformar um ser preconcebido gravado profundamente no senso comum. Você não é mais aquele vizinho, amigo ou namorado – você é aquilo que a sociedade disse que você é, independente de toda a sua história. De repente, você é algo desprezível e imoral, que merece ser isolado e ignorado. Tudo isso enquanto encara a morte certa de frente.

Ao conhecermos Ron Woodroof, não entramos apenas na rotina desse caubói mulherengo e homofóbico, típico macho alfa de Dallas dos anos 80, mas também em todo o seu estilo de vida turbulento. E quando o destino lhe prega uma peça, ele perde tudo, se vê obrigado a mudar e acaba entrando em uma difícil briga da qual não desiste até o fim.

O protagonista Matthew McConaughey e o coadjuvante Jared Leto, que vive Rayon, não desperdiçam um segundo de tela. Seus personagens sofrem com a AIDS, terrível doença que assombrou a humanidade naquela década, condenando-os à morte em uma época em que médicos e cientistas ainda tentavam entender este mal. Em um drama que expõe essa difícil situação, tanto McConaughey quanto Leto levaram seus personagens até sua camada mais profunda e, merecidamente, ganharam indicações ao Oscar 2014.



Não é um drama de superação. É a história de um homem que viveu no terrível cenário da propagação da AIDS nos anos 80 e teve que sentir a força de uma sociedade ignorante e assustada – parcela de que ele mesmo era membro integrante. Com todas as chances contra ele, aprendeu a sobreviver. E acabou mergulhando nesse mundo B, antes tão distante e tão demonizado, só por causa de um único fato, um evento, um descuido. Esse é o drama de Ron Woodroof.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Ela (Her)

- Pode conter spoilers –

http://www.herthemovie.com/#/home



Theodore Twombly (Joaquin Phoenix) é um homem comum, com uma vida comum e problemas comuns. Divorciado, portador do mal chamado solidão. E não tem nenhuma grande ambição; contenta-se em fazer o horário comercial no escritório e aproveitar sozinho o apartamento com vista privilegiada. Mas existe algo de extraordinário nesse ‘escritor’ de cartas à mão e me refiro ao mundo em que vive. De repente, mergulhamos não apenas em sua vida, mas nesse ponto do futuro em que tudo é graciosamente estético e tecnologicamente avançado. Theodore é um simples cidadão deste lugar estranho, o qual um belo dia resolve balançar sua vida oferecendo, por meio de um anúncio publicitário, um produto chamado Sistema Operacional (SO).

Samantha (Scarlett Johansson), por outro lado, é essa mulher inteligente, engraçada e absolutamente charmosa que é tudo menos comum. Ela se envolve com esse homem e desenvolve uma paixão sincera. Ao mesmo tempo, descobre quem tem muito a aprender sobre a vida e, é claro, o fato de ser um computador. Na verdade, uma SO.

Não é uma história sobre a tecnologia, a sociedade ou os problemas de um homem. O que ela nos conta é uma fábula melancólica sobre relacionamento e amor. Com Joaquin Phoenix, sempre tirando o máximo de seus papeis, e Scarlett Johansson, mostrando que não precisa do rosto bonito para conquistar um homem e também o espectador, descobrimos um nível diferente do que é se relacionar. Amy Adams, outra que não decepciona, faz a vizinha e amiga, no fundo, o elo humano de Theodore.

Este filme é um acerto de Spike Jonze. A trama sensível, ritmo sereno, fotografia delicada, elenco competente – um conjunto bem harmonizado. Enquanto alguns de seus concorrentes ao Oscar optaram pelo tom mais pesado e, às vezes, frenético, ‘Ela’ não hesitou em ser sutil. A indicação a melhor filme mostra que ainda há espaço para produções sem condução forte e de difícil digestão.

Ainda que haja grandes apostas na disputa, ‘Ela’ não deve ser ignorado. Provavelmente não levará o prêmio. Independente disso, o conto de Theodore e Samantha encantará qualquer um que decidir conhecer sua história.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Réquiem para um Sonho (Requiem for a Dream)

- Pode conter spoilers –

http://bit.ly/KhDMoU

Uma coisa fundamental que coloca Harry (Jared Leto), Tyrone (Marlon Wayans), Marion (Jennifer Connelly), Sarah (Ellen Burstyn) e, no fundo, muitos de nós no mesmo barco é a vontade de realizar um sonho, seja ele ter sucesso na vida, dinheiro, uma família ou simplesmente participar de um show de televisão. E se lá dentro, no mundo que só você vê, tudo é muito lindo, aqui fora, onde todos travamos nossas batalhas individuais, tudo pode parecer feio. Na verdade, horrível.

Com ritmo melancólico, mergulhado em tom esverdeado, o diretor Darren Aronofsky nos conta um pouco da vida desses quatro personagens medíocres e a resposta única aos seus anseios: as drogas. Elas são o passe mágico para a felicidade eterna tanto quanto o constante lembrete de que a realidade nunca será tão fácil ou perfeita como os sonhos parecem. E de forma quase frenética vamos assistindo à rápida decadência em que vão afundando um a um até que não sobra mais nada além delas. Sim, as drogas.

A mensagem cai, sim, no velho e bom aviso sobre o perigo das drogas. Mas é também sobre o poder destrutivo da busca desesperada por um sonho – ou seria por uma saída? Fica o espaço para a reflexão e a sensação de falta de fôlego causada pelas excelentes atuações.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Questão de tempo (About time)

- Pode conter spoilers -




Com uma condução sensível, mas longe do dramalhão que poderia ter sido, 'Questão de tempo' aborda exatamente aquilo que já pode ser percebido em seu trailer: o valor do tempo, da família e, em especial, dos momentos sempre efêmeros que passamos ao lado de quem amamos.

A magia da vida de Tim Lake (Domhnall Gleeson) é que, mesmo em uma família que leva no sangue o poder de viajar no tempo, não há nada de extraordinário nela além de algumas situações engraçadinhas. Ele é um advogado competente, que só faz seu trabalho. Sua família é boa e amorosa, ainda que possua seus pequenos problemas e conflitos. Seu interesse romântico é uma moça simpática e bonita por quem simplesmente se apaixona. Se você espera uma louca viagem sobre as complicações e emoções da viagem no tempo, pode procurar por outro título. O gênero aqui é drama, com uma pitada levíssima de fantasia.

Os personagens formam uma pintura de como a vida pode ser linda, ainda que passando por algumas tristezas. Exceto por Kit Kat, que traz uma construção muito interessante de Lydia Wilson, nenhum deles se esforça para conquistar o público individualmente. Mary é fofa e não seria nem isso se não fosse pelo fato de que Rachel McAdams ainda rende algum carisma. Tim é o típico protagonista que nos guia pela história, trazendo poucas surpresas em suas ações.


Ainda que seja um gênero muito bem trabalhado pelo diretor Richard Curtis, talvez tenha faltado alguma pimenta para engrossar a trama. De qualquer forma, o filme é válido. Foge bastante de cenas longas e bregas, saturadas de falas de efeito, mas não deixa de tentar arrancar algumas lágrimas. E se você é o do tipo que jamais vai se cansar de histórias que ensinam o valor da família e/ou está procurando por algo leve para assistir, esta é uma grande recomendação para você.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Os Demônios (The Devils)

 - Pode conter spoilers -



Muito bem cotado no circuito de filmes perturbadores e adaptado de um livro de Aldous Huxley (que eu não li), “Os Demônios”, de 1971, retrata a história do padre Urbain Grandier e as supostas possessões demoníacas ocorridas em freiras do vilarejo de Loudun, que no século 17 era uma das poucas a se manter resistente ao controle do Cardeal Richelieu.

O fato histórico, na verdade, serve de cenário para um ataque nada sutil a uma época obscura da Igreja Católica. Começando por nosso heroico protagonista, Grandier (Oliver Reed), um padre promíscuo, que abandona sua amante grávida e se casa com outra mulher. Nada disso seria um problema se ele não fosse também uma forte figura contra a influência do poderoso Cardeal Richelieu. Apesar da excelente habilidade de luta com pequenos jacarés, sua natureza extremamente sensual – única “fraqueza” aparente – acaba traindo-o e levando-o ao fim historicamente conhecido.

A segunda e última personagem digna de ser apresentada é a madre superiora Jeanne de Anges (Vanessa Redgrave), que brilha na tela com sua corcunda, o pescoço torto e a forma distinta de lidar com a repressão sexual. São seus sonhos profanos e desejo lascivo por Grandier que, ao contrário dos eternos monólogos do padre, dão alguma graça ao longa.

No geral, a trama trabalha pouco os desdobramentos políticos e foca muito mais nas depravações envolvendo freiras. Nudismo, sexo e símbolos religiosos misturados em cenas tão alegóricas que não chegam a pesar, excetuando o óbvio ataque à moral e à Igreja. Na época, deve ter causado grande choque e ainda hoje pode ser visto como uma grande ofensa aos olhos dos católicos fervorosos. No entanto, para o público que aprecia o estilo gore, o filme traz poucos momentos que valham a pena.

domingo, 4 de agosto de 2013

Wolverine: Imortal (The Wolverine)

- Pode conter spoilers -

http://www.thewolverinemovie.com



Importante: eu não sou fã dos quadrinhos, mas assisti a todos os filmes relacionados ao universo dos mutantes.

Com um roteiro melhor desenvolvido e maior respeito aos fãs da franquia, o grande trunfo do segundo filme protagonizado pelo carismático Wolverine é levar  o público ao cinema com baixíssima expectativa. Com isso, causar a sensação de redenção pela terrível produção anterior.

“Wolverine: Imortal” tem a premissa simples: trabalhar sua relação quebrada com a imortalidade. Para isso, ele terá que perder sua habilidade mutante e lembrar de que não resiste a uma mocinha em perigo – mesmo que seja por baixo da carcaça de bronco.

Tudo começa com um Wolverine traumatizado por ter sido obrigado a matar mulher de sua vida (Jean que, ao final de “X-Men 3 - O Confronto Final”, começa a assassinar todo mundo depois de ter se transformado em Fênix) e vive como um ermitão. Um amigo da 2ª guerra o arranca do retiro para lhe oferecer a mortalidade e acabar com o sofrimento que tantos anos de vida lhe causaram.

O filme não é tão ruim quanto o primeiro e ganha pontos por isso. Parece que os produtores da Fox aprenderam que há limite na hora de subestimar seu público (em especial, o de quadrinhos) e desta vez fizeram um esforcinho. Com isso, ganhamos um Wolverine (ligeiramente) mais profundo, um contexto mais interessante e lindas cenas no Japão.

Ainda assim, a produção não chega sem pecados. A começar pelos vilões, uma série de personagens irritantes e, em alguns casos, previsíveis. A insistência no uso da bonitinha-sem-personalidade-que-precisa-de-ajuda é um problema de filmes de heróis no geral, que ultimamente até têm tentado construir figuras femininas mais fortes, o que não é o caso aqui. O destaque fica para Yukio (interpretada por Rila Fukushima), que é ótima, mas não tem muito espaço além do papel de assistente. Por último, cito a presença dos grandes clichês japoneses: Yakuza, ninjas e armaduras samurais, que não passam de elementos forçados na trama para dar aquele gostinho oriental que todo ocidental curte.

“Wolverine: Imortal” supera o seu antecessor (o que não é lá tão difícil), mas ainda não chega a ser trazer uma ótima história do que a vida do mutante poderia ser. A impressão que eu tenho é que o tema imortalidade poderia render muito mais, mas a Fox ainda tem medo de investir em um conteúdo mais denso e perder o apelo comercial e infantil.

É um caminho mercadológico compreensível. Mas enquanto outros estúdios estão conseguindo fazer suas marcas no cinema, Wolverine fica para trás, vendo personagens muito menos interessantes ganhar o espaço que poderia ser seu.