http://www.sonyclassics.com/theraid/
Um mocinho com uma missão pessoal, um superior com sentimentos nobres, outro superior com motivações duvidosas, um vilão mau e inteligente e uma diversidade de dublês prontos para morrer de forma violenta e muito bem coreografada. Diretor e roteirista deste divertido longa, Gareth Evans partiu de um conceito básico: premissa simples, atuações exageradas e porradaria. O gênero é antigo, mas ainda mostra sua força ao atrair fãs de todo o mundo e que sentiam falta de lançamentos do tipo. E foi essa produção indonésia que os tirou da “seca” e reavivou um segmento adormecido.
A coisa é simples e essa é a sua beleza. Sem grandes pretensões, ao contrário do que costumam ser os filmes americanos, o filme se passa em uma mínima variedade de cenários e a maior parte de seus personagens escolhem facões em vez de armas de fogo. Não há um show de explosões ou gadgets avançados. O que tem é o ritmo frenético e um plot com uma quase profundidade, só o suficiente para prender a atenção e justificar, de certa forma, toda a ação.
A falta de inovações e a trama familiar (para quem assistiu “Dredd”) não atrapalham em nada. O objetivo não é refletir e nem sentir densas emoções. Este é um longa para quem quer ver lutas bem coreografadas e violência sem compromisso. Nesse sentido, a entrega é plena e você não vai achar muitas produções atuais melhores que essa.
Atenção: Para ler os trechos com spoiler é necessário clicar no título do post, acessando assim a página específica dele. Dessa forma, ao clicar no botão (que fica no meio do texto), a parte oculta do texto será revelada.
terça-feira, 8 de julho de 2014
sexta-feira, 4 de julho de 2014
Transcendence – A Revolução (Transcendence)
http://www.transcendencemovie.com/
Com Johnny Depp, Morgan Freeman e Paul Bettany no elenco, sendo este último o que mais se destacou em tela, “Transcendence – A Revolução” propõe uma discussão sobre tecnologia, a possibilidade de nos tornarmos imortais por meio dela e também os perigos que pode representar para as pessoas, cada vez mais conectadas à ela. Will Caster (Depp) é um famoso cientista voltado ao desenvolvimento de inteligência artificial que trabalha com sua esposa, Evelyn (Rebecca Hall), e com o amigo e colega Max Waters (Bettany) e, após sofrer um atentado, acaba falecendo e tem sua consciência carregada em um programa criado por ele mesmo.
Enquanto o tema é interessante e bem atual, o longa opta por uma abordagem mais fantasiosa, voltada para diversão. O enfoque é bem superficial e prioriza o drama e os conflitos, nenhum dos quais traz grandes novidades ou surpresas. A escolha enfraqueceu bastante o filme em relação às expectativas do que poderia ser.
Mais uma ficção científica que deve ser levada menos a sério do que pretende, “Transcendence – A Revolução” vale para quem procura por uma nova produção do gênero, já que é uma das poucas que foram lançadas ultimamente nos cinemas, e para quem estava com saudades de ver Depp sem as maquiagens exorbitantes exigidas pelos papeis de Tim Burton.
Com Johnny Depp, Morgan Freeman e Paul Bettany no elenco, sendo este último o que mais se destacou em tela, “Transcendence – A Revolução” propõe uma discussão sobre tecnologia, a possibilidade de nos tornarmos imortais por meio dela e também os perigos que pode representar para as pessoas, cada vez mais conectadas à ela. Will Caster (Depp) é um famoso cientista voltado ao desenvolvimento de inteligência artificial que trabalha com sua esposa, Evelyn (Rebecca Hall), e com o amigo e colega Max Waters (Bettany) e, após sofrer um atentado, acaba falecendo e tem sua consciência carregada em um programa criado por ele mesmo.
Enquanto o tema é interessante e bem atual, o longa opta por uma abordagem mais fantasiosa, voltada para diversão. O enfoque é bem superficial e prioriza o drama e os conflitos, nenhum dos quais traz grandes novidades ou surpresas. A escolha enfraqueceu bastante o filme em relação às expectativas do que poderia ser.
Depp definitivamente não está em sua melhor forma, sendo mais inexpressivo que Cillian Murphy, cujo papel é bem pequeno. Seu personagem não causa empatia alguma, mesmo quando está à beira da morte, assim como a esposa que o ama e é o único elo de ligação à ele quando se transforma em uma consciência totalmente digital. Mesmo quando a trama revela um olhar um tanto positivo sobre o grandioso e suspeito trabalho dos dois, é difícil torcer por eles.
Outro problema são os conceitos bem absurdos e mal explicados sobre ciência e tecnologia. O longa mostra uma confiança absurda na capacidade de ambos ao apresentar uma consciência humana completa, com lembranças e sentimentos, carregada em uma máquina que, pela falta de outro termo, desenvolve incríveis superpoderes. O avanço acontece em menos de cinco anos porque um cientista renomado ganhou, de repente, acesso e capacidade de processamento de todas as informações que estão online. Nenhum dos acontecimentos parece verossímil, restando considerar tudo mera fantasia.
Outro problema são os conceitos bem absurdos e mal explicados sobre ciência e tecnologia. O longa mostra uma confiança absurda na capacidade de ambos ao apresentar uma consciência humana completa, com lembranças e sentimentos, carregada em uma máquina que, pela falta de outro termo, desenvolve incríveis superpoderes. O avanço acontece em menos de cinco anos porque um cientista renomado ganhou, de repente, acesso e capacidade de processamento de todas as informações que estão online. Nenhum dos acontecimentos parece verossímil, restando considerar tudo mera fantasia.
Mais uma ficção científica que deve ser levada menos a sério do que pretende, “Transcendence – A Revolução” vale para quem procura por uma nova produção do gênero, já que é uma das poucas que foram lançadas ultimamente nos cinemas, e para quem estava com saudades de ver Depp sem as maquiagens exorbitantes exigidas pelos papeis de Tim Burton.
domingo, 22 de junho de 2014
Amantes Eternos (Only Lovers Left Alive)
http://www.sonyclassics.com/onlyloversleftalive/
Há várias razões para ver em vampiros um tipo de criatura majestosa. Eles são poderosos e andam por aí com esse ar de mistério. Mas, é claro, não é só isso que compõe o charme irresistível. Tem também o perigo potencial; a fome por sangue que os faz seres obscuros, selvagens e muitas vezes fatais. Junte tudo isso à força, à rapidez e à eterna juventude e está pronto: uma bela e apelativa produção comercial. Sexo, beleza e sangue. É legal, é divertido e é o que os fãs gostam – eu, inclusive. Só que “Amantes Eternos” não tem nada disso.
Não é que Jim Jarmusch quis revolucionar totalmente a figura dessa criatura mística. Aliás, é exatamente o contrário. O filme traz poucas novidades para aqueles que já conhecem bem esse mundo alternativo. A direção de arte, junto com um trabalho competente de fotografia, criou uma ambientação bonita, mas não é nada que surpreenda. O objetivo do diretor foi desconstruir. E devo dizer que o resultado ficou bem interessante.
Verdade que o ritmo é lento e beira o tédio, o qual permeia a vida do casal Adam (Tom Hiddleston) e Eve (Tilda Swinton). A imortalidade, representada sem a beleza e a juventude padrão de Hollywood, enche os diálogos com referências históricas, porém, é o seu peso que conduz a trama. Os dois já viram e já aprenderam muito e ainda têm muito tempo pela frente. Adam é melancólico e se sente cansado. Eve continua apreciando calmamente os momentos que vive.
O longa tem vários pontos positivos, em especial o casal improvável formado por Hiddleston e Swinton. Mas o seu maior valor, ao meu ver, foi mostrar que cenas de sexo e nudez, sangue e violência e um alto nível de agressividade não são fundamentais para um bom filme de vampiro. Existe um outro lado que também rende boas histórias. Não, também não é o romance e nem as bobagens adolescentes. É o elemento humano, que os deixa mais complexos.
Adam e Eve me cativaram na tela. Até a aparição de Eva (Mia Wasikowska), a irritante irmã de Eve, é interessante. Os fãs dos seres imortais ganham muito conhecendo esses personagens, suas relações e intimidades. Por isso, fica a indicação. Só não espere um drama cheio de ação, com altos e baixos, e apelos baratos.
Há várias razões para ver em vampiros um tipo de criatura majestosa. Eles são poderosos e andam por aí com esse ar de mistério. Mas, é claro, não é só isso que compõe o charme irresistível. Tem também o perigo potencial; a fome por sangue que os faz seres obscuros, selvagens e muitas vezes fatais. Junte tudo isso à força, à rapidez e à eterna juventude e está pronto: uma bela e apelativa produção comercial. Sexo, beleza e sangue. É legal, é divertido e é o que os fãs gostam – eu, inclusive. Só que “Amantes Eternos” não tem nada disso.
Não é que Jim Jarmusch quis revolucionar totalmente a figura dessa criatura mística. Aliás, é exatamente o contrário. O filme traz poucas novidades para aqueles que já conhecem bem esse mundo alternativo. A direção de arte, junto com um trabalho competente de fotografia, criou uma ambientação bonita, mas não é nada que surpreenda. O objetivo do diretor foi desconstruir. E devo dizer que o resultado ficou bem interessante.
Verdade que o ritmo é lento e beira o tédio, o qual permeia a vida do casal Adam (Tom Hiddleston) e Eve (Tilda Swinton). A imortalidade, representada sem a beleza e a juventude padrão de Hollywood, enche os diálogos com referências históricas, porém, é o seu peso que conduz a trama. Os dois já viram e já aprenderam muito e ainda têm muito tempo pela frente. Adam é melancólico e se sente cansado. Eve continua apreciando calmamente os momentos que vive.
O longa tem vários pontos positivos, em especial o casal improvável formado por Hiddleston e Swinton. Mas o seu maior valor, ao meu ver, foi mostrar que cenas de sexo e nudez, sangue e violência e um alto nível de agressividade não são fundamentais para um bom filme de vampiro. Existe um outro lado que também rende boas histórias. Não, também não é o romance e nem as bobagens adolescentes. É o elemento humano, que os deixa mais complexos.
Adam e Eve me cativaram na tela. Até a aparição de Eva (Mia Wasikowska), a irritante irmã de Eve, é interessante. Os fãs dos seres imortais ganham muito conhecendo esses personagens, suas relações e intimidades. Por isso, fica a indicação. Só não espere um drama cheio de ação, com altos e baixos, e apelos baratos.
quarta-feira, 18 de junho de 2014
Malévola (Maleficent)
Existe um vício em contos infantis que, felizmente, está sendo aos poucos consertado: o maniqueísmo. Em 1959, a Disney nos apresentou a história da doce Princesa Aurora e como termina por cair na maldição de uma terrível bruxa chamada Malévola. Simples assim, a narrativa vem de muito antes do estúdio decidir animá-la e possui diversas versões. Este ano, a Disney retornou à mesma história, desta vez com uma visão nova: a de que não há apenas vilões e heróis e, algumas vezes, é possível ser os dois na mesma linha de acontecimentos.
Malévola não é apenas má. Verdade, ela lançou uma maldição em uma inofensiva bebê que destinava-a a morrer antes do pôr-do-sol do dia em que completaria seus 16 anos (na animação, a fada Primavera a salva, substituindo a morte por um sono profundo capaz de ser quebrado pelo beijo de amor). A pergunta que não foi feita em 59 e que agora tem um filme inteiro para responde-la é: por quê? Além da essência maldosa e da aparente amargura, a bruxa não apresenta grandes razões para fazer o que faz. Aí entra a personagem desenvolvida pelo diretor Robert Stromberg e pela belíssima Angelina Jolie.
Com algumas adaptações, o longa entrega tudo o que os fãs da história e de contos infantis esperam: aventura, drama, uma pitadinha de romance e uma ótima dose de fantasia. Não é apenas todo o visual da *fada* Malévola, mas também o rico mundo em que vive: uma floresta mágica cheia de criaturas interessantes. O tom é infantil, bem adequado ao público, sem deixar de divertir os adultos que estejam como acompanhantes ou que decidam assistir ao filme.
Em favor da poderosa fada que nasce e vive no coração da floresta e que crescerá para ser uma protetora amarga e ameaçadora, as três fadinhas que criam Aurora acabam sendo retratadas de forma mais superficial. Toda a ajuda e o bem que fazem na animação de 59 acaba ficando para Malévola que, corretamente atribuída como a Fada Madrinha, se apega à linda garotinha. A mudança não é ruim, porém, faz o público desgostar do trio, que é tão amado na primeira versão e causa quase raiva na atual.
A supressão do papel fundamental do casamento prometido é um bom aspecto, pois substitui a importância de um príncipe encantado pela validação do amor fraternal. A mensagem é quase a mesma de “Frozen”, mas não deixa de ser relevante. E por que não pegar esse conto tão icônico e transformá-lo em uma lição de amor diferente?
Por fim, temos a aparição de um novo vilão, ou pelo menos foi como o classifiquei. Stefan é a representação do homem, com todos os seus defeitos, em contraposição à natureza inocente e pura de Malévola, criada em meio à natureza e longe dos sentimentos de inveja e ambição. O garoto é ambíguo, pois nem tudo o que faz é de natureza meramente maldosa, mas ele é a representação de tudo de ruim que há num ser humano. Nesse sentido, talvez a intenção do filme em retratar o bem e o mal sem pintar os personagens de preto e branco pode ter sido prejudicada.
A supressão do papel fundamental do casamento prometido é um bom aspecto, pois substitui a importância de um príncipe encantado pela validação do amor fraternal. A mensagem é quase a mesma de “Frozen”, mas não deixa de ser relevante. E por que não pegar esse conto tão icônico e transformá-lo em uma lição de amor diferente?
Por fim, temos a aparição de um novo vilão, ou pelo menos foi como o classifiquei. Stefan é a representação do homem, com todos os seus defeitos, em contraposição à natureza inocente e pura de Malévola, criada em meio à natureza e longe dos sentimentos de inveja e ambição. O garoto é ambíguo, pois nem tudo o que faz é de natureza meramente maldosa, mas ele é a representação de tudo de ruim que há num ser humano. Nesse sentido, talvez a intenção do filme em retratar o bem e o mal sem pintar os personagens de preto e branco pode ter sido prejudicada.
Vale pela trama, pelos vistosos efeitos especiais e, para os mais velhos, pela nostalgia. A performance de Jolie é competente e sua incorporação da personagem não decepciona. Mesmo com alguns ajustes, a história respeita a versão original, que conquistou tantos fãs. Por tudo isso, a Disney está de parabéns pelo longa. É uma ótima aposta para quem tem filhos ou não!
sábado, 14 de junho de 2014
Ninfomaníaca – Vol. I e II (Nymph()maniac – Vol. I e II)
http://www.nymphomaniacthemovie.com/
Antes de perturbada, louca, estranha ou mesmo ninfomaníaca, Joe (Charlotte Gainsbourg) é uma desajustada. E se para muitos de nós é normal às vezes duvidar de nosso lugar na sociedade, para ela é um dilema que surge a cada passo que dá. Por causa disso, ela faz escolhas duvidosas, machuca alguns ao seu redor e termina achando que não é uma boa pessoa. Seligman (Stellan Skarsgård) é o homem que a acolhe em um momento particularmente difícil e a ajuda a descobrir se é de fato uma mulher má.
Esqueça tesão extremo, desejos incontroláveis e violação do corpo. A história de Joe tem, sim, relação direta com tudo isso, mas sua essência é outra. Quem esperou um pornô, se decepcionou. Quem esperou tudo de mais chocante e explícito por causa do nome Lars von Trier, também. O que os dois volumes contam é a trajetória de uma desajustada que aprendeu a lidar com o seu vazio por meio do sexo, com uma crítica à hipocrisia da sociedade. Nem por isso deixam de ser impactantes.
Com alguns eventos peculiares e ritmo ditado pelo estilo próprio do diretor, a trama conta a vida e as escolhas de uma mulher que por muitas vezes pode nos chocar, inspirar pena ou nos deixar com raiva. Para alguns, talvez cause admiração. Joe é uma boa personagem, com personalidade e problemas particulares, e bem interpretada por Stacy Martin e Gainsbourg. O elenco no geral se encaixa muito bem na linha de von Trier.
No fim, não tem nada a ver com a promessa (nunca feita) de discutir a ninfomania em si. O vício é a desculpa para um tema polêmico e um título um tanto comercial. O que é visto na tela não traz grandes novidades além da abordagem crua: uma história forte sobre a condição humana, leis sociais e a solidão que ambos podem nos impor.
Antes de perturbada, louca, estranha ou mesmo ninfomaníaca, Joe (Charlotte Gainsbourg) é uma desajustada. E se para muitos de nós é normal às vezes duvidar de nosso lugar na sociedade, para ela é um dilema que surge a cada passo que dá. Por causa disso, ela faz escolhas duvidosas, machuca alguns ao seu redor e termina achando que não é uma boa pessoa. Seligman (Stellan Skarsgård) é o homem que a acolhe em um momento particularmente difícil e a ajuda a descobrir se é de fato uma mulher má.
Esqueça tesão extremo, desejos incontroláveis e violação do corpo. A história de Joe tem, sim, relação direta com tudo isso, mas sua essência é outra. Quem esperou um pornô, se decepcionou. Quem esperou tudo de mais chocante e explícito por causa do nome Lars von Trier, também. O que os dois volumes contam é a trajetória de uma desajustada que aprendeu a lidar com o seu vazio por meio do sexo, com uma crítica à hipocrisia da sociedade. Nem por isso deixam de ser impactantes.
Quando você opta pelo sexo em vez do trabalho, da família e, em especial, do seu próprio filho, eles vão lhe dizer que há algo de errado com você. Joe faz essa escolha de forma muito mais consciente do que se espera e sofre as consequências: é cuspida de sua vida “comum”, como mãe de família e mulher trabalhadora. “Eu sou uma ninfomaníaca e eu amo ser assim.” Sua alternativa é viver à margem, porque esse é o único lugar que sobrou.
O veredito de Seligman, ao final, é que Joe é só um ser humano lutando por sua felicidade, seus direitos, por aquele “mais” que não conseguia encontrar. Não seria julgada pior que uma pessoa com moral flexível, se fosse um homem. Estaria perdoada, não por ela mesmo ou por Deus, mas pela sociedade, que permitiria sua existência errante.
No entanto, quando ela toma a decisão de mudar ao final de sua história, o mundo mais uma vez lhe mostra que não será tão fácil quanto parece. Ela puxa, enfim, o gatilho, indo além de qualquer limite aceitável. Fica a pergunta: podemos assim considerá-la uma pessoa má? Ou, no fundo, é só alguém tentando sobreviver?
O veredito de Seligman, ao final, é que Joe é só um ser humano lutando por sua felicidade, seus direitos, por aquele “mais” que não conseguia encontrar. Não seria julgada pior que uma pessoa com moral flexível, se fosse um homem. Estaria perdoada, não por ela mesmo ou por Deus, mas pela sociedade, que permitiria sua existência errante.
No entanto, quando ela toma a decisão de mudar ao final de sua história, o mundo mais uma vez lhe mostra que não será tão fácil quanto parece. Ela puxa, enfim, o gatilho, indo além de qualquer limite aceitável. Fica a pergunta: podemos assim considerá-la uma pessoa má? Ou, no fundo, é só alguém tentando sobreviver?
Com alguns eventos peculiares e ritmo ditado pelo estilo próprio do diretor, a trama conta a vida e as escolhas de uma mulher que por muitas vezes pode nos chocar, inspirar pena ou nos deixar com raiva. Para alguns, talvez cause admiração. Joe é uma boa personagem, com personalidade e problemas particulares, e bem interpretada por Stacy Martin e Gainsbourg. O elenco no geral se encaixa muito bem na linha de von Trier.
No fim, não tem nada a ver com a promessa (nunca feita) de discutir a ninfomania em si. O vício é a desculpa para um tema polêmico e um título um tanto comercial. O que é visto na tela não traz grandes novidades além da abordagem crua: uma história forte sobre a condição humana, leis sociais e a solidão que ambos podem nos impor.
terça-feira, 27 de maio de 2014
X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (X-Men: Days of Future Past)
http://www.x-menfilmes.com.br/
É num cenário improvável, nas ruínas de um templo isolado, que se juntam os últimos mutantes do mundo em torno de uma última esperança de sobrevivência: a habilidade especial de Kitty Pride de enviar a consciência de alguém ao passado, em seu corpo mais jovem, e desta forma mudar a história. Professor Xavier e Magneto, os grandes líderes desse grupo exterminado, não veem outra alternativa além de se juntar para orientar Wolverine, único capaz de fazer a longa viagem ao passado distante. Sua missão será mudar o cenário que levou à criação dos invencíveis Sentinelas assassinos.
Com os rostos já conhecidos da franquia, como Hugh Jackman (Wolverine), Ellen Page (Kitty Pride), Halle Berry (Storm), Shawn Ashmore (Iceman), Patrick Stewart (Charles Xavier – mais velho), Ian McKellen (Magneto – mais velho), James McAvoy (Charles Xavier – mais novo), Michael Fassbender (Magneto – mais novo), Jennifer Lawrence (Mística – mais nova) e Nicholas Hoult (Fera – mais novo), e novidades como Evan Peters (Peter) e Peter Dinklage (Dr. Bolivar Trask), o último filme dos mutantes traz instigantes imagens dos os amados personagens em uma atmosfera mais obscura. Alguns dos favoritos acabam de fora ou aparecem por não mais que alguns segundos, mas os que ficam não deixam a desejar, mostrando que basta criatividade, bom roteiro, coreografia e efeitos especiais para criar cenas de lutas que levantam qualquer público.
Além da ação, Bryan Singer não economizou no tom dramático e nas piadas, entregando assim um longa capaz de prender a atenção do começo ao fim. O ritmo da trama é bom e acerta no equilíbrio entre momentos sérios e engraçados, sendo recomendável para todos os tipos de público.
A tensão mutantes x humanos é velha, mas mostra que ainda rende muito pano para a manga. Quem assiste esperando por ação mutante também não se decepciona. Por isso, para um programa divertido nos cinemas, não tem erro: “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido” com certeza vale a pena!
É num cenário improvável, nas ruínas de um templo isolado, que se juntam os últimos mutantes do mundo em torno de uma última esperança de sobrevivência: a habilidade especial de Kitty Pride de enviar a consciência de alguém ao passado, em seu corpo mais jovem, e desta forma mudar a história. Professor Xavier e Magneto, os grandes líderes desse grupo exterminado, não veem outra alternativa além de se juntar para orientar Wolverine, único capaz de fazer a longa viagem ao passado distante. Sua missão será mudar o cenário que levou à criação dos invencíveis Sentinelas assassinos.
Com os rostos já conhecidos da franquia, como Hugh Jackman (Wolverine), Ellen Page (Kitty Pride), Halle Berry (Storm), Shawn Ashmore (Iceman), Patrick Stewart (Charles Xavier – mais velho), Ian McKellen (Magneto – mais velho), James McAvoy (Charles Xavier – mais novo), Michael Fassbender (Magneto – mais novo), Jennifer Lawrence (Mística – mais nova) e Nicholas Hoult (Fera – mais novo), e novidades como Evan Peters (Peter) e Peter Dinklage (Dr. Bolivar Trask), o último filme dos mutantes traz instigantes imagens dos os amados personagens em uma atmosfera mais obscura. Alguns dos favoritos acabam de fora ou aparecem por não mais que alguns segundos, mas os que ficam não deixam a desejar, mostrando que basta criatividade, bom roteiro, coreografia e efeitos especiais para criar cenas de lutas que levantam qualquer público.
Além da ação, Bryan Singer não economizou no tom dramático e nas piadas, entregando assim um longa capaz de prender a atenção do começo ao fim. O ritmo da trama é bom e acerta no equilíbrio entre momentos sérios e engraçados, sendo recomendável para todos os tipos de público.
O filme, é claro, não é perfeito e nem está livre de furos. Abordar o espaço-tempo é sempre um risco e ainda há toda a questão da adaptação dos quadrinhos (que eu não li). Um exemplo é o papel de Mística/Raven, que é diferente na história original e cuja relação desenvolvida com o Professor Charles Xavier no cinema pode ser muito irritante em alguns momentos. A diferença gritante de aparências entre os atores que interpretam Xavier em diferentes fases, assim como Magneto, também pode incomodar em alguns momentos.
Porém, é impossível não se emocionar com o novo futuro conquistado por Wolverine, em que vemos a escola de mutantes em pleno funcionamento, nossos personagens favoritos vivos e felizes e, mais importante, a anulação total do longa de 2006, alvo de críticas e muito ódio. Nunca gostei muito da Jean de Famke Janssen, mas sua aparição foi a confirmação de que podemos esquecer a trilogia anterior.
Porém, é impossível não se emocionar com o novo futuro conquistado por Wolverine, em que vemos a escola de mutantes em pleno funcionamento, nossos personagens favoritos vivos e felizes e, mais importante, a anulação total do longa de 2006, alvo de críticas e muito ódio. Nunca gostei muito da Jean de Famke Janssen, mas sua aparição foi a confirmação de que podemos esquecer a trilogia anterior.
A tensão mutantes x humanos é velha, mas mostra que ainda rende muito pano para a manga. Quem assiste esperando por ação mutante também não se decepciona. Por isso, para um programa divertido nos cinemas, não tem erro: “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido” com certeza vale a pena!
quinta-feira, 15 de maio de 2014
Across the Universe
http://www.sonypictures.com/movies/acrosstheuniverse/
Jude é um garoto comum de Liverpool que deposita todos seus sonhos e anseios em um encontro com o pai, que mora na América. Porém, quem o acolhe na nova terra é Max Carrigan que, além de guia-lo por suas aventuras universitárias, lhe apresenta a sua irmã, a perfeita Lucy. Juntos, os três cantam e vivem a alma agitada dos anos 60, desde o movimento da contracultura até os violentos protestos contra a Guerra do Vietnã.
O romance conturbado de Jude e Lucy se desenrola em um musical, usando muitos sucessos interpretados pela banda The Beatles para levar o ritmo da história, com doses equilibradas de humor e seriedade que de fato coloriram essa década. O longa não se aprofunda muito em nenhum dos temas que aborda, mantendo a essência teatral que pode agradar ou desagradar, dependendo do gosto. Muitas vezes, se utiliza de interpretações alternativas das canções, convenientes para a trama, que não acerta 100% todas as vezes, mas não chega a prejudicar.
Com atuações satisfatórias e boas vozes, o elenco não decepciona. O destaque fica para Dana Fuchs (Sadie) e Martin Luther McCoy (Jojo), que brilham ao interpretarem suas músicas. A sempre linda Evan Rachel Wood (Lucy) e Jim Sturgess (Jude) convencem de sua química em cena, mas não chegam a ser um casal carismático. Joe Anderson (Max) e T. V. Carpio (Prudence), por outro lado, são excelentes coadjuvantes, ambos personagens muito mais interessantes.
O filme é uma ótima sugestão para um programa em família e casal, especialmente para os fãs do grupo The Beatles.
Jude é um garoto comum de Liverpool que deposita todos seus sonhos e anseios em um encontro com o pai, que mora na América. Porém, quem o acolhe na nova terra é Max Carrigan que, além de guia-lo por suas aventuras universitárias, lhe apresenta a sua irmã, a perfeita Lucy. Juntos, os três cantam e vivem a alma agitada dos anos 60, desde o movimento da contracultura até os violentos protestos contra a Guerra do Vietnã.
O romance conturbado de Jude e Lucy se desenrola em um musical, usando muitos sucessos interpretados pela banda The Beatles para levar o ritmo da história, com doses equilibradas de humor e seriedade que de fato coloriram essa década. O longa não se aprofunda muito em nenhum dos temas que aborda, mantendo a essência teatral que pode agradar ou desagradar, dependendo do gosto. Muitas vezes, se utiliza de interpretações alternativas das canções, convenientes para a trama, que não acerta 100% todas as vezes, mas não chega a prejudicar.
Com atuações satisfatórias e boas vozes, o elenco não decepciona. O destaque fica para Dana Fuchs (Sadie) e Martin Luther McCoy (Jojo), que brilham ao interpretarem suas músicas. A sempre linda Evan Rachel Wood (Lucy) e Jim Sturgess (Jude) convencem de sua química em cena, mas não chegam a ser um casal carismático. Joe Anderson (Max) e T. V. Carpio (Prudence), por outro lado, são excelentes coadjuvantes, ambos personagens muito mais interessantes.
O filme é uma ótima sugestão para um programa em família e casal, especialmente para os fãs do grupo The Beatles.
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