- Pode conter spoilers –
http://www.herthemovie.com/#/home
Theodore Twombly (Joaquin Phoenix) é um homem comum, com uma vida comum e problemas comuns. Divorciado, portador do mal chamado solidão. E não tem nenhuma grande ambição; contenta-se em fazer o horário comercial no escritório e aproveitar sozinho o apartamento com vista privilegiada. Mas existe algo de extraordinário nesse ‘escritor’ de cartas à mão e me refiro ao mundo em que vive. De repente, mergulhamos não apenas em sua vida, mas nesse ponto do futuro em que tudo é graciosamente estético e tecnologicamente avançado. Theodore é um simples cidadão deste lugar estranho, o qual um belo dia resolve balançar sua vida oferecendo, por meio de um anúncio publicitário, um produto chamado Sistema Operacional (SO).
Samantha (Scarlett Johansson), por outro lado, é essa mulher inteligente, engraçada e absolutamente charmosa que é tudo menos comum. Ela se envolve com esse homem e desenvolve uma paixão sincera. Ao mesmo tempo, descobre quem tem muito a aprender sobre a vida e, é claro, o fato de ser um computador. Na verdade, uma SO.
Não é uma história sobre a tecnologia, a sociedade ou os problemas de um homem. O que ela nos conta é uma fábula melancólica sobre relacionamento e amor. Com Joaquin Phoenix, sempre tirando o máximo de seus papeis, e Scarlett Johansson, mostrando que não precisa do rosto bonito para conquistar um homem e também o espectador, descobrimos um nível diferente do que é se relacionar. Amy Adams, outra que não decepciona, faz a vizinha e amiga, no fundo, o elo humano de Theodore.
Este filme é um acerto de Spike Jonze. A trama sensível, ritmo sereno, fotografia delicada, elenco competente – um conjunto bem harmonizado. Enquanto alguns de seus concorrentes ao Oscar optaram pelo tom mais pesado e, às vezes, frenético, ‘Ela’ não hesitou em ser sutil. A indicação a melhor filme mostra que ainda há espaço para produções sem condução forte e de difícil digestão.
Ainda que haja grandes apostas na disputa, ‘Ela’ não deve ser ignorado. Provavelmente não levará o prêmio. Independente disso, o conto de Theodore e Samantha encantará qualquer um que decidir conhecer sua história.
Atenção: Para ler os trechos com spoiler é necessário clicar no título do post, acessando assim a página específica dele. Dessa forma, ao clicar no botão (que fica no meio do texto), a parte oculta do texto será revelada.
sábado, 25 de janeiro de 2014
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Réquiem para um Sonho (Requiem for a Dream)
- Pode conter spoilers –
http://bit.ly/KhDMoU
Uma coisa fundamental que coloca Harry (Jared Leto), Tyrone (Marlon Wayans), Marion (Jennifer Connelly), Sarah (Ellen Burstyn) e, no fundo, muitos de nós no mesmo barco é a vontade de realizar um sonho, seja ele ter sucesso na vida, dinheiro, uma família ou simplesmente participar de um show de televisão. E se lá dentro, no mundo que só você vê, tudo é muito lindo, aqui fora, onde todos travamos nossas batalhas individuais, tudo pode parecer feio. Na verdade, horrível.
Com ritmo melancólico, mergulhado em tom esverdeado, o diretor Darren Aronofsky nos conta um pouco da vida desses quatro personagens medíocres e a resposta única aos seus anseios: as drogas. Elas são o passe mágico para a felicidade eterna tanto quanto o constante lembrete de que a realidade nunca será tão fácil ou perfeita como os sonhos parecem. E de forma quase frenética vamos assistindo à rápida decadência em que vão afundando um a um até que não sobra mais nada além delas. Sim, as drogas.
A mensagem cai, sim, no velho e bom aviso sobre o perigo das drogas. Mas é também sobre o poder destrutivo da busca desesperada por um sonho – ou seria por uma saída? Fica o espaço para a reflexão e a sensação de falta de fôlego causada pelas excelentes atuações.
http://bit.ly/KhDMoU
Uma coisa fundamental que coloca Harry (Jared Leto), Tyrone (Marlon Wayans), Marion (Jennifer Connelly), Sarah (Ellen Burstyn) e, no fundo, muitos de nós no mesmo barco é a vontade de realizar um sonho, seja ele ter sucesso na vida, dinheiro, uma família ou simplesmente participar de um show de televisão. E se lá dentro, no mundo que só você vê, tudo é muito lindo, aqui fora, onde todos travamos nossas batalhas individuais, tudo pode parecer feio. Na verdade, horrível.
Com ritmo melancólico, mergulhado em tom esverdeado, o diretor Darren Aronofsky nos conta um pouco da vida desses quatro personagens medíocres e a resposta única aos seus anseios: as drogas. Elas são o passe mágico para a felicidade eterna tanto quanto o constante lembrete de que a realidade nunca será tão fácil ou perfeita como os sonhos parecem. E de forma quase frenética vamos assistindo à rápida decadência em que vão afundando um a um até que não sobra mais nada além delas. Sim, as drogas.
A mensagem cai, sim, no velho e bom aviso sobre o perigo das drogas. Mas é também sobre o poder destrutivo da busca desesperada por um sonho – ou seria por uma saída? Fica o espaço para a reflexão e a sensação de falta de fôlego causada pelas excelentes atuações.
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
Questão de tempo (About time)
- Pode conter spoilers -
Com uma condução sensível, mas longe do dramalhão que poderia ter sido, 'Questão de tempo' aborda exatamente aquilo que já pode ser percebido em seu trailer: o valor do tempo, da família e,
em especial, dos momentos sempre efêmeros que passamos ao lado de quem amamos.
A magia da vida de Tim Lake (Domhnall Gleeson) é que, mesmo em uma
família que leva no sangue o poder de viajar no tempo, não há nada de
extraordinário nela além de algumas situações engraçadinhas. Ele é um advogado
competente, que só faz seu trabalho. Sua família é boa e amorosa, ainda que
possua seus pequenos problemas e conflitos. Seu interesse romântico é uma moça
simpática e bonita por quem simplesmente se apaixona. Se você espera uma louca
viagem sobre as complicações e emoções da viagem no tempo, pode procurar por
outro título. O gênero aqui é drama, com uma pitada levíssima de fantasia.
Os personagens formam uma pintura de como a vida pode ser linda, ainda
que passando por algumas tristezas. Exceto por Kit Kat, que traz uma construção
muito interessante de Lydia Wilson, nenhum deles se esforça para conquistar o
público individualmente. Mary é fofa e não seria nem isso se não fosse pelo fato
de que Rachel McAdams ainda rende algum carisma. Tim é o típico protagonista
que nos guia pela história, trazendo poucas surpresas em suas ações.
Ainda que seja um gênero muito bem trabalhado pelo diretor Richard
Curtis, talvez tenha faltado alguma pimenta para engrossar a trama. De qualquer
forma, o filme é válido. Foge bastante de cenas longas e bregas, saturadas de
falas de efeito, mas não deixa de tentar arrancar algumas lágrimas. E se você é
o do tipo que jamais vai se cansar de histórias que ensinam o valor da família e/ou
está procurando por algo leve para assistir, esta é uma grande recomendação
para você.
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
Os Demônios (The Devils)
- Pode conter spoilers -
Muito bem cotado no circuito de filmes perturbadores e adaptado de um
livro de Aldous Huxley (que eu não li), “Os Demônios”, de 1971, retrata a
história do padre Urbain Grandier e as supostas possessões demoníacas ocorridas
em freiras do vilarejo de Loudun, que no século 17 era uma das poucas a se
manter resistente ao controle do Cardeal Richelieu.
O fato histórico, na verdade, serve de cenário para um ataque nada
sutil a uma época obscura da Igreja Católica. Começando por nosso heroico
protagonista, Grandier (Oliver Reed), um padre promíscuo, que abandona sua
amante grávida e se casa com outra mulher. Nada disso seria um problema se ele
não fosse também uma forte figura contra a influência do poderoso Cardeal Richelieu.
Apesar da excelente habilidade de luta com pequenos jacarés, sua natureza extremamente
sensual – única “fraqueza” aparente – acaba traindo-o e levando-o ao fim
historicamente conhecido.
A segunda e última personagem digna de ser apresentada é a madre
superiora Jeanne de Anges (Vanessa Redgrave), que brilha na tela com sua corcunda,
o pescoço torto e a forma distinta de lidar com a repressão sexual. São seus
sonhos profanos e desejo lascivo por Grandier que, ao contrário dos eternos
monólogos do padre, dão alguma graça ao longa.
No geral, a trama trabalha pouco os desdobramentos políticos e foca
muito mais nas depravações envolvendo freiras. Nudismo, sexo e símbolos
religiosos misturados em cenas tão alegóricas que não chegam a pesar, excetuando
o óbvio ataque à moral e à Igreja. Na época, deve ter causado grande choque e
ainda hoje pode ser visto como uma grande ofensa aos olhos dos católicos
fervorosos. No entanto, para o público que aprecia o estilo gore, o filme traz
poucos momentos que valham a pena.
domingo, 4 de agosto de 2013
Wolverine: Imortal (The Wolverine)
- Pode conter spoilers -
http://www.thewolverinemovie.com
Importante: eu não sou fã dos quadrinhos, mas assisti a todos os filmes relacionados ao universo dos mutantes.
Com um roteiro melhor desenvolvido e maior respeito aos fãs da franquia, o grande trunfo do segundo filme protagonizado pelo carismático Wolverine é levar o público ao cinema com baixíssima expectativa. Com isso, causar a sensação de redenção pela terrível produção anterior.
“Wolverine: Imortal” tem a premissa simples: trabalhar sua relação quebrada com a imortalidade. Para isso, ele terá que perder sua habilidade mutante e lembrar de que não resiste a uma mocinha em perigo – mesmo que seja por baixo da carcaça de bronco.
Tudo começa com um Wolverine traumatizado por ter sido obrigado a matar mulher de sua vida (Jean que, ao final de “X-Men 3 - O Confronto Final”, começa a assassinar todo mundo depois de ter se transformado em Fênix) e vive como um ermitão. Um amigo da 2ª guerra o arranca do retiro para lhe oferecer a mortalidade e acabar com o sofrimento que tantos anos de vida lhe causaram.
O filme não é tão ruim quanto o primeiro e ganha pontos por isso. Parece que os produtores da Fox aprenderam que há limite na hora de subestimar seu público (em especial, o de quadrinhos) e desta vez fizeram um esforcinho. Com isso, ganhamos um Wolverine (ligeiramente) mais profundo, um contexto mais interessante e lindas cenas no Japão.
Ainda assim, a produção não chega sem pecados. A começar pelos vilões, uma série de personagens irritantes e, em alguns casos, previsíveis. A insistência no uso da bonitinha-sem-personalidade-que-precisa-de-ajuda é um problema de filmes de heróis no geral, que ultimamente até têm tentado construir figuras femininas mais fortes, o que não é o caso aqui. O destaque fica para Yukio (interpretada por Rila Fukushima), que é ótima, mas não tem muito espaço além do papel de assistente. Por último, cito a presença dos grandes clichês japoneses: Yakuza, ninjas e armaduras samurais, que não passam de elementos forçados na trama para dar aquele gostinho oriental que todo ocidental curte.
“Wolverine: Imortal” supera o seu antecessor (o que não é lá tão difícil), mas ainda não chega a ser trazer uma ótima história do que a vida do mutante poderia ser. A impressão que eu tenho é que o tema imortalidade poderia render muito mais, mas a Fox ainda tem medo de investir em um conteúdo mais denso e perder o apelo comercial e infantil.
É um caminho mercadológico compreensível. Mas enquanto outros estúdios estão conseguindo fazer suas marcas no cinema, Wolverine fica para trás, vendo personagens muito menos interessantes ganhar o espaço que poderia ser seu.
http://www.thewolverinemovie.com
Importante: eu não sou fã dos quadrinhos, mas assisti a todos os filmes relacionados ao universo dos mutantes.
Com um roteiro melhor desenvolvido e maior respeito aos fãs da franquia, o grande trunfo do segundo filme protagonizado pelo carismático Wolverine é levar o público ao cinema com baixíssima expectativa. Com isso, causar a sensação de redenção pela terrível produção anterior.
“Wolverine: Imortal” tem a premissa simples: trabalhar sua relação quebrada com a imortalidade. Para isso, ele terá que perder sua habilidade mutante e lembrar de que não resiste a uma mocinha em perigo – mesmo que seja por baixo da carcaça de bronco.
Tudo começa com um Wolverine traumatizado por ter sido obrigado a matar mulher de sua vida (Jean que, ao final de “X-Men 3 - O Confronto Final”, começa a assassinar todo mundo depois de ter se transformado em Fênix) e vive como um ermitão. Um amigo da 2ª guerra o arranca do retiro para lhe oferecer a mortalidade e acabar com o sofrimento que tantos anos de vida lhe causaram.
O filme não é tão ruim quanto o primeiro e ganha pontos por isso. Parece que os produtores da Fox aprenderam que há limite na hora de subestimar seu público (em especial, o de quadrinhos) e desta vez fizeram um esforcinho. Com isso, ganhamos um Wolverine (ligeiramente) mais profundo, um contexto mais interessante e lindas cenas no Japão.
Ainda assim, a produção não chega sem pecados. A começar pelos vilões, uma série de personagens irritantes e, em alguns casos, previsíveis. A insistência no uso da bonitinha-sem-personalidade-que-precisa-de-ajuda é um problema de filmes de heróis no geral, que ultimamente até têm tentado construir figuras femininas mais fortes, o que não é o caso aqui. O destaque fica para Yukio (interpretada por Rila Fukushima), que é ótima, mas não tem muito espaço além do papel de assistente. Por último, cito a presença dos grandes clichês japoneses: Yakuza, ninjas e armaduras samurais, que não passam de elementos forçados na trama para dar aquele gostinho oriental que todo ocidental curte.
“Wolverine: Imortal” supera o seu antecessor (o que não é lá tão difícil), mas ainda não chega a ser trazer uma ótima história do que a vida do mutante poderia ser. A impressão que eu tenho é que o tema imortalidade poderia render muito mais, mas a Fox ainda tem medo de investir em um conteúdo mais denso e perder o apelo comercial e infantil.
É um caminho mercadológico compreensível. Mas enquanto outros estúdios estão conseguindo fazer suas marcas no cinema, Wolverine fica para trás, vendo personagens muito menos interessantes ganhar o espaço que poderia ser seu.
quinta-feira, 14 de março de 2013
O Vôo (Flight)
O que é um alcoólatra? Uma pessoa que bebe muito. Mais do que isso: é o
cara que estraga a festa. Perde o emprego. O deprimido diagnosticado (ou não).
O babaca que causa acidente na madrugada do sábado. É o tio que está no bar às
9h da manhã. O mendigo da sarjeta. O Zé que bate na mulher e nos filhos. O
extremo irresponsável.
Só que não.
A primeira cena do filme é do cara que acorda numa sofisticada suíte de
hotel, de ressaca. Ele começa o dia cheirando pó e atendendo uma inconveniente
ligação da ex-mulher, enquanto sua deslumbrante acompanhante anda pelada pelo
quarto. Em seguida, eles estão saindo pelo corredor naquela marcha heroica de
quem tem uma missão a cumprir e o uniforme impecável da tripulação de uma
companhia aérea. E o que acontece depois? Ele, como comandante, salva várias
vidas.
Acaba aí a descrição do personagem alcoólatra, representado por Denzel
Washington com maestria, que passa os próximos minutos de filme tentando ignorar
superar seu problema. Para muitos, foi a partir desse ponto que a trama perdeu força.
Culpa da comunicação, que vendeu o longa como se fosse filme de desastre de
avião. Para mim, foi uma agradável surpresa.
O drama do comandante Whip é, como já li em alguns lugares, repetitivo e
lento - o que faz muito sentido. Quem convive com o alcoolismo sabe que é
exatamente assim: o irritante ciclo de beber e se convencer de que está no controle,
mesmo que tudo e todos mostrem que não. Não precisa ter um motivo profundo ou
ser um completo perdedor. E, pessoalmente, acho que esse contraste entre o
herói, que muitas vezes dá a impressão de saber o que está fazendo, e o doente,
que insiste no comportamento destrutivo, é a maior conquista da obra.
A trama não é perfeita e às vezes se perde em ramificações e
personagens que não fariam falta se fossem excluídos. Porém, consegue chegar em
um clímax empolgante e se mantém realista. Quem sentiu que o tom foi moralista,
deu importância demais às referências religiosas e às últimas cenas. No fundo,
acho que o que mais incomodou parte do público foi mostrar que o alcoolismo não
é doença do outro, que tem problemas, mas de um cara normal ou até de sucesso, que
gosta de beber e de se divertir.
Não é uma questão de condenar um certo tipo de comportamento e sim de
alertar que o alcoolismo não vem apenas em formas estereotipadas. Na verdade, o
vício em si não tem nada de emocionante e nem sempre é percebido na cara da
pessoa. É um buraco negro que vai sugando o que estiver próximo.
Só que alguns ainda não sentiram na pele o quão cruel pode ser essa realidade.
terça-feira, 3 de julho de 2012
Para Roma Com Amor (To Rome With Love)
Woody Allen é um diretor aclamado, adorado por uma legião de fãs e com
certeza possui ótimas produções em seu currículo. Alguns apreciam seus diálogos
afiados, outros dizem que é a leveza com que trata certos assuntos na tela ou
mesmo a dualidade de seus personagens. Há um carisma inegável em sua arte e
dela surgiram títulos inesquecíveis. Infelizmente, Para Roma Com Amor não é um
deles.
Passando por uma fase turista, Allen já filmou em Londres, Barcelona e
Paris. Diferente de suas irmãs, a versão
italiana traz o popular formato em várias histórias que, neste caso, não se
ligam a não ser pelo cenário em comum: recém-casados do interior que precisam
lidar com a cidade grande, um cidadão ordinário que fica famoso de repente, o
estudante de arquitetura que deve resistir ao charme da melhor amiga de sua
namorada e o agente funerário que canta excepcionalmente bem no chuveiro. Por meio destes indivíduos e seu universo, o diretor
nos leva às minúcias da radiante cidade europeia.
Antes de tudo, é importante ressaltar que a obra não é semelhante à
anterior, Meia Noite em Paris. Verdade que há um toque de surrealismo, que de
longe é tão bem utilizada como na homenagem aos franceses. Tirando isso e a
bela ambientação em cada uma das cidades, os dois filmes não possuem nenhuma afinidade
- fato que por si não significa nada.
O grande problema é a falta de pretensão. Para Roma Com Amor deixa um
grande vazio para o qual suas quatro narrativas são insuficientes. Não há ali
uma consistência, um gancho que segure o espectador ou mesmo uma boa homenagem.
Diferente de outras histórias que o fazem com maestria, elas não alcançam a
alma da cidade; são apenas um pout-pourri de situações bobas e que dão a
sensação de serem puramente aleatórias - ainda que sejam referências à cultura ítala.
Além de tudo, o filme não chega a divertir. Custa a sair do previsível.
Quando não arranca um sorriso à força, que é cedido mais por simpatia do que
por graça, nos obriga a lidar com personagens com os quais é impossível nos
relacionar. Ellen Page está no papel mais irritante de sua carreira ao lado de atores
razoáveis que se unem em um conjunto insosso. A única a iluminar a tela é
Penélope Cruz, cuja pequena participação nem chega a dar sabor.
Como diretor, roteirista e ator, desta vez Woody Allen decepcionou.
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