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sábado, 14 de junho de 2014

Ninfomaníaca – Vol. I e II (Nymph()maniac – Vol. I e II)

http://www.nymphomaniacthemovie.com/



Antes de perturbada, louca, estranha ou mesmo ninfomaníaca, Joe (Charlotte Gainsbourg) é uma desajustada. E se para muitos de nós é normal às vezes duvidar de nosso lugar na sociedade, para ela é um dilema que surge a cada passo que dá. Por causa disso, ela faz escolhas duvidosas, machuca alguns ao seu redor e termina achando que não é uma boa pessoa. Seligman (Stellan Skarsgård) é o homem que a acolhe em um momento particularmente difícil e a ajuda a descobrir se é de fato uma mulher má.

Esqueça tesão extremo, desejos incontroláveis e violação do corpo. A história de Joe tem, sim, relação direta com tudo isso, mas sua essência é outra. Quem esperou um pornô, se decepcionou. Quem esperou tudo de mais chocante e explícito por causa do nome Lars von Trier, também. O que os dois volumes contam é a trajetória de uma desajustada que aprendeu a lidar com o seu vazio por meio do sexo, com uma crítica à hipocrisia da sociedade. Nem por isso deixam de ser impactantes.



Com alguns eventos peculiares e ritmo ditado pelo estilo próprio do diretor, a trama conta a vida e as escolhas de uma mulher que por muitas vezes pode nos chocar, inspirar pena ou nos deixar com raiva. Para alguns, talvez cause admiração. Joe é uma boa personagem, com personalidade e problemas particulares, e bem interpretada por Stacy Martin e Gainsbourg. O elenco no geral se encaixa muito bem na linha de von Trier.

No fim, não tem nada a ver com a promessa (nunca feita) de discutir a ninfomania em si. O vício é a desculpa para um tema polêmico e um título um tanto comercial. O que é visto na tela não traz grandes novidades além da abordagem crua: uma história forte sobre a condição humana, leis sociais e a solidão que ambos podem nos impor.

terça-feira, 27 de maio de 2014

X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (X-Men: Days of Future Past)

http://www.x-menfilmes.com.br/



É num cenário improvável, nas ruínas de um templo isolado, que se juntam os últimos mutantes do mundo em torno de uma última esperança de sobrevivência: a habilidade especial de Kitty Pride de enviar a consciência de alguém ao passado, em seu corpo mais jovem, e desta forma mudar a história. Professor Xavier e Magneto, os grandes líderes desse grupo exterminado, não veem outra alternativa além de se juntar para orientar Wolverine, único capaz de fazer a longa viagem ao passado distante. Sua missão será mudar o cenário que levou à criação dos invencíveis Sentinelas assassinos.

Com os rostos já conhecidos da franquia, como Hugh Jackman (Wolverine), Ellen Page (Kitty Pride), Halle Berry (Storm), Shawn Ashmore (Iceman), Patrick Stewart (Charles Xavier – mais velho), Ian McKellen (Magneto – mais velho), James McAvoy (Charles Xavier – mais novo), Michael Fassbender (Magneto – mais novo), Jennifer Lawrence (Mística – mais nova) e Nicholas Hoult (Fera – mais novo), e novidades como Evan Peters (Peter) e Peter Dinklage (Dr. Bolivar Trask), o último filme dos mutantes traz instigantes imagens dos os amados personagens em uma atmosfera mais obscura. Alguns dos favoritos acabam de fora ou aparecem por não mais que alguns segundos, mas os que ficam não deixam a desejar, mostrando que basta criatividade, bom roteiro, coreografia e efeitos especiais para criar cenas de lutas que levantam qualquer público.

Além da ação, Bryan Singer não economizou no tom dramático e nas piadas, entregando assim um longa capaz de prender a atenção do começo ao fim. O ritmo da trama é bom e acerta no equilíbrio entre momentos sérios e engraçados, sendo recomendável para todos os tipos de público.



A tensão mutantes x humanos é velha, mas mostra que ainda rende muito pano para a manga. Quem assiste esperando por ação mutante também não se decepciona. Por isso, para um programa divertido nos cinemas, não tem erro: “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido” com certeza vale a pena!

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Across the Universe

http://www.sonypictures.com/movies/acrosstheuniverse/



Jude é um garoto comum de Liverpool que deposita todos seus sonhos e anseios em um encontro com o pai, que mora na América. Porém, quem o acolhe na nova terra é Max Carrigan que, além de guia-lo por suas aventuras universitárias, lhe apresenta a sua irmã, a perfeita Lucy. Juntos, os três cantam e vivem a alma agitada dos anos 60, desde o movimento da contracultura até os violentos protestos contra a Guerra do Vietnã.

O romance conturbado de Jude e Lucy se desenrola em um musical, usando muitos sucessos interpretados pela banda The Beatles para levar o ritmo da história, com doses equilibradas de humor e seriedade que de fato coloriram essa década. O longa não se aprofunda muito em nenhum dos temas que aborda, mantendo a essência teatral que pode agradar ou desagradar, dependendo do gosto. Muitas vezes, se utiliza de interpretações alternativas das canções, convenientes para a trama, que não acerta 100% todas as vezes, mas não chega a prejudicar.

Com atuações satisfatórias e boas vozes, o elenco não decepciona. O destaque fica para Dana Fuchs (Sadie) e Martin Luther McCoy (Jojo), que brilham ao interpretarem suas músicas. A sempre linda Evan Rachel Wood (Lucy) e Jim Sturgess (Jude) convencem de sua química em cena, mas não chegam a ser um casal carismático. Joe Anderson (Max) e T. V. Carpio (Prudence), por outro lado, são excelentes coadjuvantes, ambos personagens muito mais interessantes.

O filme é uma ótima sugestão para um programa em família e casal, especialmente para os fãs do grupo The Beatles.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club)

http://www.focusfeatures.com/dallas_buyers_club



Qual é a força de um preconceito? Um único fato é capaz de apagar tudo o que você é para te transformar um ser preconcebido gravado profundamente no senso comum. Você não é mais aquele vizinho, amigo ou namorado – você é aquilo que a sociedade disse que você é, independente de toda a sua história. De repente, você é algo desprezível e imoral, que merece ser isolado e ignorado. Tudo isso enquanto encara a morte certa de frente.

Ao conhecermos Ron Woodroof, não entramos apenas na rotina desse caubói mulherengo e homofóbico, típico macho alfa de Dallas dos anos 80, mas também em todo o seu estilo de vida turbulento. E quando o destino lhe prega uma peça, ele perde tudo, se vê obrigado a mudar e acaba entrando em uma difícil briga da qual não desiste até o fim.

O protagonista Matthew McConaughey e o coadjuvante Jared Leto, que vive Rayon, não desperdiçam um segundo de tela. Seus personagens sofrem com a AIDS, terrível doença que assombrou a humanidade naquela década, condenando-os à morte em uma época em que médicos e cientistas ainda tentavam entender este mal. Em um drama que expõe essa difícil situação, tanto McConaughey quanto Leto levaram seus personagens até sua camada mais profunda e, merecidamente, ganharam indicações ao Oscar 2014.



Não é um drama de superação. É a história de um homem que viveu no terrível cenário da propagação da AIDS nos anos 80 e teve que sentir a força de uma sociedade ignorante e assustada – parcela de que ele mesmo era membro integrante. Com todas as chances contra ele, aprendeu a sobreviver. E acabou mergulhando nesse mundo B, antes tão distante e tão demonizado, só por causa de um único fato, um evento, um descuido. Esse é o drama de Ron Woodroof.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Ela (Her)

- Pode conter spoilers –

http://www.herthemovie.com/#/home



Theodore Twombly (Joaquin Phoenix) é um homem comum, com uma vida comum e problemas comuns. Divorciado, portador do mal chamado solidão. E não tem nenhuma grande ambição; contenta-se em fazer o horário comercial no escritório e aproveitar sozinho o apartamento com vista privilegiada. Mas existe algo de extraordinário nesse ‘escritor’ de cartas à mão e me refiro ao mundo em que vive. De repente, mergulhamos não apenas em sua vida, mas nesse ponto do futuro em que tudo é graciosamente estético e tecnologicamente avançado. Theodore é um simples cidadão deste lugar estranho, o qual um belo dia resolve balançar sua vida oferecendo, por meio de um anúncio publicitário, um produto chamado Sistema Operacional (SO).

Samantha (Scarlett Johansson), por outro lado, é essa mulher inteligente, engraçada e absolutamente charmosa que é tudo menos comum. Ela se envolve com esse homem e desenvolve uma paixão sincera. Ao mesmo tempo, descobre quem tem muito a aprender sobre a vida e, é claro, o fato de ser um computador. Na verdade, uma SO.

Não é uma história sobre a tecnologia, a sociedade ou os problemas de um homem. O que ela nos conta é uma fábula melancólica sobre relacionamento e amor. Com Joaquin Phoenix, sempre tirando o máximo de seus papeis, e Scarlett Johansson, mostrando que não precisa do rosto bonito para conquistar um homem e também o espectador, descobrimos um nível diferente do que é se relacionar. Amy Adams, outra que não decepciona, faz a vizinha e amiga, no fundo, o elo humano de Theodore.

Este filme é um acerto de Spike Jonze. A trama sensível, ritmo sereno, fotografia delicada, elenco competente – um conjunto bem harmonizado. Enquanto alguns de seus concorrentes ao Oscar optaram pelo tom mais pesado e, às vezes, frenético, ‘Ela’ não hesitou em ser sutil. A indicação a melhor filme mostra que ainda há espaço para produções sem condução forte e de difícil digestão.

Ainda que haja grandes apostas na disputa, ‘Ela’ não deve ser ignorado. Provavelmente não levará o prêmio. Independente disso, o conto de Theodore e Samantha encantará qualquer um que decidir conhecer sua história.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Réquiem para um Sonho (Requiem for a Dream)

- Pode conter spoilers –

http://bit.ly/KhDMoU

Uma coisa fundamental que coloca Harry (Jared Leto), Tyrone (Marlon Wayans), Marion (Jennifer Connelly), Sarah (Ellen Burstyn) e, no fundo, muitos de nós no mesmo barco é a vontade de realizar um sonho, seja ele ter sucesso na vida, dinheiro, uma família ou simplesmente participar de um show de televisão. E se lá dentro, no mundo que só você vê, tudo é muito lindo, aqui fora, onde todos travamos nossas batalhas individuais, tudo pode parecer feio. Na verdade, horrível.

Com ritmo melancólico, mergulhado em tom esverdeado, o diretor Darren Aronofsky nos conta um pouco da vida desses quatro personagens medíocres e a resposta única aos seus anseios: as drogas. Elas são o passe mágico para a felicidade eterna tanto quanto o constante lembrete de que a realidade nunca será tão fácil ou perfeita como os sonhos parecem. E de forma quase frenética vamos assistindo à rápida decadência em que vão afundando um a um até que não sobra mais nada além delas. Sim, as drogas.

A mensagem cai, sim, no velho e bom aviso sobre o perigo das drogas. Mas é também sobre o poder destrutivo da busca desesperada por um sonho – ou seria por uma saída? Fica o espaço para a reflexão e a sensação de falta de fôlego causada pelas excelentes atuações.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Questão de tempo (About time)

- Pode conter spoilers -




Com uma condução sensível, mas longe do dramalhão que poderia ter sido, 'Questão de tempo' aborda exatamente aquilo que já pode ser percebido em seu trailer: o valor do tempo, da família e, em especial, dos momentos sempre efêmeros que passamos ao lado de quem amamos.

A magia da vida de Tim Lake (Domhnall Gleeson) é que, mesmo em uma família que leva no sangue o poder de viajar no tempo, não há nada de extraordinário nela além de algumas situações engraçadinhas. Ele é um advogado competente, que só faz seu trabalho. Sua família é boa e amorosa, ainda que possua seus pequenos problemas e conflitos. Seu interesse romântico é uma moça simpática e bonita por quem simplesmente se apaixona. Se você espera uma louca viagem sobre as complicações e emoções da viagem no tempo, pode procurar por outro título. O gênero aqui é drama, com uma pitada levíssima de fantasia.

Os personagens formam uma pintura de como a vida pode ser linda, ainda que passando por algumas tristezas. Exceto por Kit Kat, que traz uma construção muito interessante de Lydia Wilson, nenhum deles se esforça para conquistar o público individualmente. Mary é fofa e não seria nem isso se não fosse pelo fato de que Rachel McAdams ainda rende algum carisma. Tim é o típico protagonista que nos guia pela história, trazendo poucas surpresas em suas ações.


Ainda que seja um gênero muito bem trabalhado pelo diretor Richard Curtis, talvez tenha faltado alguma pimenta para engrossar a trama. De qualquer forma, o filme é válido. Foge bastante de cenas longas e bregas, saturadas de falas de efeito, mas não deixa de tentar arrancar algumas lágrimas. E se você é o do tipo que jamais vai se cansar de histórias que ensinam o valor da família e/ou está procurando por algo leve para assistir, esta é uma grande recomendação para você.