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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Nine

http://nine-movie.com/



Para quem é fã de musicais, “Nine” chega ao público com o melhor do apelo do gênero: muito drama, mulheres sensuais, figurinos de fazer babar, aquele clima cabaré bem francês (apesar de se passar na Itália) e, é claro, músicas lindamente coreografadas.

Guido Contini é o nosso protagonista em crise. Sendo diretor de cinema, alimenta a visão ultra-dramática de sua vida e, nesse momento de dificuldade criativa, parece intensificar esse modo de enxergar as coisas ao seu redor. Para tentar se recuperar de dois fracassos anteriores, vai buscar toda a inspiração que puder nas mulheres de sua vida. Isso, no entanto, vai levá-lo a uma jornada de aprofundamento sobre ele e seus tantos relacionamentos, em vez de ajudar em seu roteiro.

O filme é basicamente dividido em “dois mundos”: o que seria o real e o da imaginação dramática de Contini. Enquanto no real o diretor batalha para que seu novo filme seja realizado e se torne mais um grande sucesso de sua carreira, em sua imaginação, ele monta esses cenários de cada moça em sua melhor forma, figurino e voz. Isso é positivo, pois elimina aqueles momentos típicos de musicais, em que os personagens começam a cantar do absoluto nada e ocorre uma quebra do envolvimento com a história. Ou seja, entramos na trama principal sem sermos interrompidos pelo momento constrangedor em que tudo se transforma em um show da Broadway, mas ainda temos o apelo artístico das músicas e coreografias.

O elenco carrega nomes de peso, como Daniel Day-Lewis (Guido Contini), Marion Cotillard (Luisa Contini), Penélope Cruz (Carla Albanese), Judi Dench (Lilliane La Fleur), Kate Hudson (Stephanie Necrophuros), Fergie (La Saraghina), Nicole Kidman (Claudia Jenssen) e Sophia Loren (Mamma), mas infelizmente o enredo não faz jus a tanto talento. Não é nada que chega a emocionar e pode se tornar enfadonho em algumas partes.

Ainda assim, o filme tem um destaque: a coreografia de Saraghina (Fergie). Vale muito a pena ver, desde a música até os efeitos “de palco”, e acredito que vá agradar tanto fãs quanto não-fãs do gênero.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Los Abrazos Rotos (Abraços Partidos)

http://www.losabrazosrotos.com/

Lena

O primeiro grande fato completamente relevante a essa crítica é que esta não é uma crítica de um filme-de-Almodóvar. Longe, muito longe de querer discutir o diretor, seu nome e os marcos que fizeram sua carreira, devo começar por uma revelação que para muitos pode ser chocante: este foi, infelizmente, o primeiro filme que vi de Almodóvar.

Dito isso, sinto menos pressão em dizer que eu não gostei do filme. Ele, como obra cinematográfica.

“Abraços Partidos” é uma bela combinação de drama e romantismo, verdade. Possui um potencial magnífico para uma bela história, cuja mensagem final é a beleza de um verdadeiro amor que nasce, acontece, em um terrível contexto. Lindo, denso e dramático. ...Ou não.

Lluís Homar me parece um ator sincero. Pouco sei sobre ele e dentro do que tentei pesquisar não descobri muito. Sei que é um ator premiado e que já havia trabalhado com Almodóvar. No entanto, sobre Mateo Blanco, seu personagem, eu não posso dizer o mesmo. Mateo nos é apresentado logo de cara como Harry Caine, um cego sedutor. Conta que Mateo se foi com um antigo amor, conta sobre esse amor, seu desenrolar e a tragédia que o rodeava quando nasceu.

A trama com certeza não é nova. Moça bonita, pobre e necessitada que se casa com um homem muito mais velho e, é claro, rico. Homem sedutor, diretor de cinema, encontra a moça-esposa-do-homem-rico e, enfim, não é difícil imaginar o resto. Apesar de fórmula pronta, sabemos, eu e todas as mulheres, que histórias trágicas de amor nunca são cansativas. Quando bem contadas.

O problema de Mateo é a sua canastrice. E, me desculpem, eu juro que não tenho outra palavra para o que esse personagem me passou durante o filme in-tei-ro. Porque se todos os personagens à sua volta querem me convencer de que Mateo Blanco é um cara sedutor, dele mesmo eu só consigo enxergar um velho tarado e pretensioso. E se em algum momento ele realmente amou Lena (Penélope Cruz), parecia apenas um velho tarado fazendo sexo com a mulher do outro. Impossível alimentar o desejo de torcer por um casal em que uma das partes simplesmente não me convence de seu “amor verdadeiro”.

Além disso, a estereotipia dos personagens é tão óbvia que dificulta na identificação do público com a história. É como um conjunto de tipos para um conto simplificado: um velho nojento e rico, um diretor de cinema bem sucedido e sedutor, uma mulher pobre e coitada, mas lindíssima. Como podemos crer num amor único e verdadeiro, quando as opções da moça são essas duas figuras masculinas? Mais fofo seria se ela trocasse o diretor pelo velho, não? Isso sim seria amor verdadeiro.

Mas, sejamos justos. Como algumas críticas que li disseram, felizmente temos Penélope Cruz no filme. Linda, carismática, talvez um pouco apagada devido ao papel, mas ainda assim Penélope Cruz. E não posso negar, de maneira nenhuma, que Almodóvar tem seu charme em nos dizer algumas coisas. Mesmo nesta produção, é perceptível sua maturidade em lidar com essa arte. E me pareceu boa, apesar de mal aproveitada.

Agora, se você, fã de Almodóvar, ou melhor, fã especificamente deste filme, vier me dizer que na verdade eu não entendi nada do que ele quis me passar, você está certo. Até agora eu não tenho idéia de qual é a desse filme. Mas se alguém puder fazer o favor de me esclarecer, eu ficarei feliz em ouvir e, quem sabe, eu até mude de opinião.