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quinta-feira, 25 de março de 2010

Um sonho possível (The blind side)

http://wwws.br.warnerbros.com/theblindside/



Se considerarmos o mundo em que vivemos e as informações que chegam a nós de hora em hora durante um dia, é impossível crer na vida de Michael Oher senão como uma fábula. O menino negro que nasce e cresce no coração da miséria e decadência humana consegue sua entrada em uma escola particular. Observando-o afundar nesse mundo que ele desconhece, uma família branca decide abrigá-lo, ajudá-lo e, por fim, adotá-lo. Então, com o esforço de professores e treinadores, ele vira esse baita jogador de futebol americano de bom caráter e bem-sucedido.

Difícil acreditar que essa sucessão de coisas boas possa acontecer a alguém quando meninos morrem por dez reais nas favelas brasileiras. Mas aconteceu, em uma narrativa tão leve e tão direcionada para a felicidade, como se todas as famílias ricas estivessem prontas para doar seu sangue por alguém e meninos tão bons nascessem em toda má vizinhança, que só é possível engolir tudo isso quando sabemos que é baseado na vida de alguém real. Inacreditável, mas Michael Oher existe.

É interessante observar que o próprio roteirista da vida possa ter concebido um caminho tão “exato” para alguém. E só ele mesmo para ter tanto crédito para fazer um roteiro assim dar certo. Porque não é uma questão de observar um exemplo de bondade e guardar este sentimento até que um moleque venha roubar sua bolsa, mas de saber que coisas assim podem de fato acontecer no mundo real. Simples, leve, certo. Dessa forma, como os resistentes sonhadores da nossa sociedade gostam tanto de pensar.

Pode ser de um simplismo grande demais resumir o conceito de bondade em uma história quase insossa de tão certinha, que luta contra todas as estatísticas que conhecemos. No entanto, quem sabe seja isso que as pessoas precisem. Faz falta às vezes ver alguma bondade de graça, sem aqueles argumentos cheios de reviravoltas só para calar as perguntas que nosso mundo complexo de hoje não nos deixa ignorar. Quem sabe seja simplicidade que nos falte para chegar às melhores soluções dos problemas.

E se você ainda pensa que, no fundo, nunca conseguiria ser tão altruísta como Leigh Anne, não se preocupe. Esse não é um filme sobre o altruísmo de uma pessoa. Porém, é um filme sobre uma pessoa exemplar. Porque o bonito não é vê-la se doando pelo garotão da periferia e sim sentindo um sincero prazer em fazê-lo. Talvez disso possamos concluir que a verdadeira mensagem é que não é de sacrifícios que esse mundo precisa, mas de pessoas com um coração tão acolhedor quanto o dela.

- E parabéns pela bela atuação de Sandra Bullock! -

quinta-feira, 18 de março de 2010

O Amor Acontece (Love Happens)

http://www.lovehappensmovie.com/



Aquela velha máxima de que palpitar na vida dos outros é mais fácil do que resolver nossos próprios problemas destaca uma característica muito mais presente na alma humana do que gostamos de admitir: a hipocrisia. Pode ser uma palavra forte, chocante para os mais sensíveis, porém uma verdade inegável. Porque todos nós já vivemos alguma experiência em que dizer é bem mais fácil que fazer e sabemos que, quase sempre, a teoria é mais simples que a prática.

“Faça o que digo, não faça o que faço” é a filosofia que Burke Ryan (Aaron Eckhart) segue secretamente desde a primeiríssima cena, em que cortar os limões nos leva à objetiva conclusão de que o jeito é fazer a limonada; até que uma garrafa de vodca surge como o sinal de que talvez a limonada por si só seja amarga demais para os despreparados. Com essa introdução, começamos a descobrir um pouco sobre o autor de um best-seller de auto-ajuda conhecido nacionalmente, que se dedica a fazer grandes palestras e workshops para ajudar pessoas que perderam seus entes queridos.

Não é um drama profundo, tampouco uma comédia romântica habitual. O luto e a dor da separação são os temas centrais do plot, e apesar do amor acontecer (como diz o título), nesse caso ele tem que, de certa forma, terminar. Essa luta pelo encerramento vai mostrar o quão longo é o caminho para se “curar” e quanto Burke, um viúvo mal-resolvido, se engaja nessa causa – pelos outros.

Quando a excêntrica florista Eloise (Jennifer Aniston) surge, todas as teorias são voltadas contra ele mesmo. A mulher que não sabe escolher homens, trabalha em uma humilde loja e não sofre com nenhuma morte traumática, leva o exemplo nacional de superação a se confrontar com seus problemas, evidenciando o grande paradoxo que ele vive.

No fim, em vez do falso moralismo e de uma redenção clichê, as duas faces hipócritas de Burke nos levam a uma curiosa conclusão sobre interações sociais e emoções humanas: não é preciso ser mais que uma pessoa normal e cheia de problemas para aconselhar e ajudar alguém; mas superar certas dores requer uma força muito maior do que uma capaz de comover e consolar multidões. Isso sim faz um filme valer a pena, muito mais do que saber que o final é o velho e bom “felizes para sempre”.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Um olhar do Paraíso (Lovely Bones)

http://www.lovelybones.com/intl/br/



A história de Susie Salmon (como o peixe) repete a tragédia de tantas outras meninas – e também meninos – que vemos proliferando em nossos noticiários e jornais nos últimos anos: estupros, assassinatos, agressões sem fim. Crianças são criadas cada vez mais dentro de casa e o tema “pedofilia” nunca foi tão discutido. A pergunta, afinal, é: O que dá tanto ibope para tais fatos? Mais do que isso, o que faz de uma história dessa natureza ser digna de virar um longa-metragem? Com certeza, e eu não vou ser hipócrita em negar, é a sua desgraça.

A grande verdade é que é a violência na morte da menina que chama a atenção. É exatamente fato de que alguém pode executar tal ato de horror e que algo assim seja crível no mesmo mundo em que vive uma família, como a Salmon, que nos parece tão perfeitamente inofensiva e amorosa nas cenas em que se desenvolvem suas relações. Sim, todos temos total ciência de que essas coisas acontecem de fato aqui, no nosso país, na nossa cidade, no nosso bairro, na nossa rua... no mesmo lugar onde pessoas como nós possuem um trabalho decente, uma família carinhosa, importantes objetivos de vida; tudo dentro da lei, sem machucar ninguém.

Peter Jackson escolheu a forma mais sutil de tratar do assunto e isso tem incomodado muitos espectadores. Talvez, porém, esse seja seu grande trunfo: focar naquilo que precisa ser dito muito mais do que naquilo que não precisa ser dito. Uma chocante cena de crua violência nos daria uma bela perspectiva do que um ser humano pode ser capaz. No entanto, a forma horrível como Susie morreu é apenas um lado de uma história que quer nos dizer muito mais.

Seguir em frente, essa é a moral da história. Quando algo acontece, coisas importantes se partem e a separação é inevitável; esse é o momento de vulnerabilidade em que todas as forças são testadas. Por causa de um único acontecimento, tudo se destrói: Susie se deixa engolir por uma obsessão de vingança e sua família se despedaça. O fato é que somos apenas humanos, muitas vezes impregnados de um apego que nem sempre é saudável. O deixar algo para trás pode ser uma das coisas mais difíceis de fazer.

O lado bom existe, como simboliza o Céu onírico (e, algumas vezes, até brega) de Susie e o amor recuperado entre Jack Salmon e Abigail Salmon. Então por que não nos concentrar nisso, a parte tão difícil e tocante da superação, em vez de querer ver detalhadamente as ações destrutivas do Sr. Harvey? Talvez essa fosse a pergunta que Peter Jackson gostaria que nos fizéssemos; talvez a leveza do filme fosse exatamente sua resposta pessoal a ela.

No final, alguns acabaram respondendo da pior forma possível. Vivemos tempos mórbidos, em que até o símbolo de “homem perfeito” é um morto-vivo que chupa sangue. A morte está em todo lugar, talvez a principal inspiração da década passada. Junto com ela, a sordidez. E é por isso que franquias como Jogos Mortais, hipérbole da violência no Entretenimento, continuam crescendo mais e mais.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Nine

http://nine-movie.com/



Para quem é fã de musicais, “Nine” chega ao público com o melhor do apelo do gênero: muito drama, mulheres sensuais, figurinos de fazer babar, aquele clima cabaré bem francês (apesar de se passar na Itália) e, é claro, músicas lindamente coreografadas.

Guido Contini é o nosso protagonista em crise. Sendo diretor de cinema, alimenta a visão ultra-dramática de sua vida e, nesse momento de dificuldade criativa, parece intensificar esse modo de enxergar as coisas ao seu redor. Para tentar se recuperar de dois fracassos anteriores, vai buscar toda a inspiração que puder nas mulheres de sua vida. Isso, no entanto, vai levá-lo a uma jornada de aprofundamento sobre ele e seus tantos relacionamentos, em vez de ajudar em seu roteiro.

O filme é basicamente dividido em “dois mundos”: o que seria o real e o da imaginação dramática de Contini. Enquanto no real o diretor batalha para que seu novo filme seja realizado e se torne mais um grande sucesso de sua carreira, em sua imaginação, ele monta esses cenários de cada moça em sua melhor forma, figurino e voz. Isso é positivo, pois elimina aqueles momentos típicos de musicais, em que os personagens começam a cantar do absoluto nada e ocorre uma quebra do envolvimento com a história. Ou seja, entramos na trama principal sem sermos interrompidos pelo momento constrangedor em que tudo se transforma em um show da Broadway, mas ainda temos o apelo artístico das músicas e coreografias.

O elenco carrega nomes de peso, como Daniel Day-Lewis (Guido Contini), Marion Cotillard (Luisa Contini), Penélope Cruz (Carla Albanese), Judi Dench (Lilliane La Fleur), Kate Hudson (Stephanie Necrophuros), Fergie (La Saraghina), Nicole Kidman (Claudia Jenssen) e Sophia Loren (Mamma), mas infelizmente o enredo não faz jus a tanto talento. Não é nada que chega a emocionar e pode se tornar enfadonho em algumas partes.

Ainda assim, o filme tem um destaque: a coreografia de Saraghina (Fergie). Vale muito a pena ver, desde a música até os efeitos “de palco”, e acredito que vá agradar tanto fãs quanto não-fãs do gênero.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Amor sem escalas (Up in the air)

Antes de mais nada, preciso dizer que eu tenho horror a filmes cujos títulos possuem a palavra “amor”. Como estudante de Publicidade, até compreendo o plano de marketing para vender a produção para um certo tipo de público, mas ainda assim, para mim sempre parecerá um trunfo barato e nada digno de alguns desses filmes, como foi o caso deste que irei comentar a seguir.

http://www.theupintheairmovie.com/intl/br/



“Amor sem escalas” surge como mais uma obra premiada do diretor Jason Reitman, o mesmo de “Obrigado por fumar” e “Juno”. Não gosto de fazer críticas baseada em currículos bem comentados, sucessos anteriores ou coisas do tipo, mas sendo fã do diretor também não posso ignorar o fato de que achei esse último filme abaixo da expectativa que os outros dois causam. Isso, é claro, não significa que ele não seja bom.

O filme em si é diferente, de uma boa maneira, em muitos pontos. Primeiro, ele não engloba somente o conceito de amor-paixão que o título desnecessariamente explícito nos faz acreditar. Há também o amor-família e principalmente o amor-compaixão – que é o que faz dele uma jornada tocante e dramática. Segundo, não é a história que a gente conhece de um cara qualquer que vai se apaixonar e nesse sentimento achará redenção e felicidade eterna. O final está longe de ser uma cena para fazer mulherzinha chorar.

Estamos lidando com um drama para quem consegue deixar suas próprias necessidades românticas de lado e quer de fato conhecer Ryan Bingham (George Clooney), nosso desapegado protagonista. Ryan é um cara que segue à risca sua filosofia, que consiste em deixar sua “mala” sempre vazia e leve. Dentro desta metáfora de aeroporto, ele quer dizer que apegos desde um porta-retratos até o comprometimento com pessoas são apenas pesos que não permitem sua movimentação. É como se a gente colocasse tudo em uma mala e tentasse caminhar com ela nas costas. Impossível.

O que pode parecer muito frio é, na verdade, algo que ao longo da trama se reflete em seu emprego e nas pessoas com quem se conecta, como a misteriosa Alex Goran (Vera Farmiga). Não que ele seja um carrasco pronto para acabar com qualquer melodrama no Universo. Ele apenas entende que certos apegos vêm com obrigações, riscos e amarras que ele pensa ser nocivos para qualquer um.

A história toda puxa-saco das relações humanas e de comprometimento e quer provar que Bingham está errado. Mostra que elas têm seu lado incômodo, mas que de certa forma são inevitáveis para todo ser humano. No entanto, não se enganem, porque dependendo de como você entende a mensagem final, pode ser se convença exatamente da teoria oposta: a da “mala vazia”. Daí, vai depender de como cada um vai reagir ao ver Ryan Bingham aprendendo a tapas as complicações de voltar para casa depois de tanto tempo viajando pelo país.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Distante nós vamos (Away we go)

http://www.filminfocus.com/focusfeatures/film/away_we_go/



Quase meio mês sem postar e tenho que admitir que não trago grandes novidades, apesar de saber que há alguns filmes em cartaz que eu poderia comentar aqui. De qualquer forma, enquanto eu ainda não tenho tempo ou dinheiro para assisti-los, trago para o blog uma boa surpresa, atual o suficiente para ser de 2009, mas com certeza não para estar na tela de um cinema.

Burt (John Krasinsk) e Verona (Maya Rudolph) são um casal já concretizado e que na primeiríssima cena descobrem que estão grávidos. Sem o apoio esperado dos sogros, Verona sente que é hora de sacudir a vida descompromissada do casal e descobrir como formar uma família de verdade. Para isso, ambos vão sair pelos Estados Unidos à procura de um lugar em que se encaixem perfeitamente.

O clima é feito de um indie pop, cada vez mais em uso nas comédias românticas e dramas hollywoodianos (“Juno“, “500 dias com ela”), de maneira que na maior parte seja melancólico por causa desse sentimento de Burt e principalmente de Verona em relação a não saber ao certo o que fazer de suas vidas.

Não é preciso sequer uma cena em que a fala “Eu te amo” é pronunciada para sentir a ligação entre os dois e a vontade enorme para fazer essa família dar certo, e, para isso, eles vão encontrar várias famílias que possuem desde nenhum amor até amor demais para dar. Sim, é uma história do tipo “vamos procurar a resposta, aprender sobre nós mesmos e descobrir que já somos felizes”, o que de maneira nenhuma torna o filme chato. Talvez um pouco previsível, mas ainda assim válido.

Para quem já está familiarizado com as aflições de estar apaixonado e prefere não romantizar o futuro de um casal, o filme traz uma boa perspectiva das possibilidades de felicidade e infelicidade que formar uma família acarreta. O final pode até ser otimista, o que conhecendo Burt e Verona você já espera. Mas, de certa forma, também é algo necessário para qualquer casal que queira que sua vida conjunta dê certo.

No fim, a obra prova que contar uma história não se trata apenas de inovação, formatos loucos ou um enredo muito diferente de tudo o que já foi visto. Basta a sensibilidade aguçada para abordar um tema que não poderia ser melhor desenvolvido de outra forma, cenas que envolvam bem as problemáticas de seus personagens e, claro, uma trilha sonora bem pensada.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Los Abrazos Rotos (Abraços Partidos)

http://www.losabrazosrotos.com/

Lena

O primeiro grande fato completamente relevante a essa crítica é que esta não é uma crítica de um filme-de-Almodóvar. Longe, muito longe de querer discutir o diretor, seu nome e os marcos que fizeram sua carreira, devo começar por uma revelação que para muitos pode ser chocante: este foi, infelizmente, o primeiro filme que vi de Almodóvar.

Dito isso, sinto menos pressão em dizer que eu não gostei do filme. Ele, como obra cinematográfica.

“Abraços Partidos” é uma bela combinação de drama e romantismo, verdade. Possui um potencial magnífico para uma bela história, cuja mensagem final é a beleza de um verdadeiro amor que nasce, acontece, em um terrível contexto. Lindo, denso e dramático. ...Ou não.

Lluís Homar me parece um ator sincero. Pouco sei sobre ele e dentro do que tentei pesquisar não descobri muito. Sei que é um ator premiado e que já havia trabalhado com Almodóvar. No entanto, sobre Mateo Blanco, seu personagem, eu não posso dizer o mesmo. Mateo nos é apresentado logo de cara como Harry Caine, um cego sedutor. Conta que Mateo se foi com um antigo amor, conta sobre esse amor, seu desenrolar e a tragédia que o rodeava quando nasceu.

A trama com certeza não é nova. Moça bonita, pobre e necessitada que se casa com um homem muito mais velho e, é claro, rico. Homem sedutor, diretor de cinema, encontra a moça-esposa-do-homem-rico e, enfim, não é difícil imaginar o resto. Apesar de fórmula pronta, sabemos, eu e todas as mulheres, que histórias trágicas de amor nunca são cansativas. Quando bem contadas.

O problema de Mateo é a sua canastrice. E, me desculpem, eu juro que não tenho outra palavra para o que esse personagem me passou durante o filme in-tei-ro. Porque se todos os personagens à sua volta querem me convencer de que Mateo Blanco é um cara sedutor, dele mesmo eu só consigo enxergar um velho tarado e pretensioso. E se em algum momento ele realmente amou Lena (Penélope Cruz), parecia apenas um velho tarado fazendo sexo com a mulher do outro. Impossível alimentar o desejo de torcer por um casal em que uma das partes simplesmente não me convence de seu “amor verdadeiro”.

Além disso, a estereotipia dos personagens é tão óbvia que dificulta na identificação do público com a história. É como um conjunto de tipos para um conto simplificado: um velho nojento e rico, um diretor de cinema bem sucedido e sedutor, uma mulher pobre e coitada, mas lindíssima. Como podemos crer num amor único e verdadeiro, quando as opções da moça são essas duas figuras masculinas? Mais fofo seria se ela trocasse o diretor pelo velho, não? Isso sim seria amor verdadeiro.

Mas, sejamos justos. Como algumas críticas que li disseram, felizmente temos Penélope Cruz no filme. Linda, carismática, talvez um pouco apagada devido ao papel, mas ainda assim Penélope Cruz. E não posso negar, de maneira nenhuma, que Almodóvar tem seu charme em nos dizer algumas coisas. Mesmo nesta produção, é perceptível sua maturidade em lidar com essa arte. E me pareceu boa, apesar de mal aproveitada.

Agora, se você, fã de Almodóvar, ou melhor, fã especificamente deste filme, vier me dizer que na verdade eu não entendi nada do que ele quis me passar, você está certo. Até agora eu não tenho idéia de qual é a desse filme. Mas se alguém puder fazer o favor de me esclarecer, eu ficarei feliz em ouvir e, quem sabe, eu até mude de opinião.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

500 dias com ela ((500) days of Summer)

http://www.500diascomela.com.br/



Mulheres, se vamos falar de um filme nada romântico e totalmente sensível, vamos dar uma olhadinha em “500 dias com ela”.

O monstro maléfico se chama Summer (Zooey Deschanel), uma moça bonita e excêntrica que se torna alvo do amor infinito de Tom (Joseph Gordon-Levitt). A premissa não é nova: o garoto, que não tem nada de especial, se apaixona pela moça e aos poucos se aproxima até conseguir conquistá-la. A moça aceita uma relação casual, mas está longe de querer alguma coisa séria, enquanto Tom não consegue abandonar a idéia de que é ela, e somente ela, que quer como namorada.

O filme é uma poesia de interação de personagens. Apesar de muitas vezes cruel, massacradora do coraçãozinho do protagonista, Summer é apaixonante. É a típica mulher-livre, artística, passando pela vida sem procurar por nada. Tom, por sua vez, é o clássico jovem sonhador, apegado e romântico. Quando ambos se encontram, um relacionamento toma forma e as várias cenas entre os dois são puro suspiro. Assisti-los é um prazer, não só pela personalidade única de cada um, mas pela personalidade única do casal em si, cheia de detalhes sensíveis que o roteirista nos fez o favor de inserir.

Como produção cinematográfica, “500 dias com ela” nos leva a uma deliciosa viagem de recursos e efeitos que não têm nada de novo, mas são usados com maestria. O enriquecimento da narrativa não só veio de um roteirista inspirado como foi reforçado pelo toque sutil e bem humorado do diretor, Marc Webb. E, contrariando expectativas, o final não é previsível nem uma grande surpresa, é apenas a evolução natural de dois personagens bem construídos.

Zooey Deschanel é linda e usa seus atributos, como os grandes olhos azuis, para montar sua personagem muito bem. Sobre Joseph Gordon-Levitt, eu tenho que admitir, não vi nenhum filme dele desde “10 coisas que eu odeio em você”. Mas achei sua performance muito legal, porque ao mesmo tempo que é possível vê-lo como o cara bobo que só vai atrás da mulher, também cria empatia que faz você gostar e torcer por ele.

O filme é uma boa pedida. Pode parecer uma crítica parcial ou puxa-saco, mas há muito tempo que não vejo um filme assim tão sensível, bem feito e, apesar da mensagem ligeiramente melancólica ao final, com pitada adorável de fantasia. E se Tom em momento nenhum reage de fato contra as ações destrutivas de Summer, o autor deixa sua própria mensagem, no começo do filme:

“Any resemblance to people living or dead is purely accidental ... Especially you Jenny Beckman ... Bitch."