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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Caçador de Recompensas (The Bounty Hunter)

http://www.sonypictures.com.br/Sony/HotSites/Br/cacadorderecompensas/



Pode parecer retrogrado falar dessa maneira, mas casamento é uma daquelas coisas que deveriam durar para sempre. É um conceito de muito tempo: até que a morte nos separe. Se alguém tem a vontade de afirmar tal coisa, então deve realmente gostar da pessoa para quem diz.

Porém, hoje quase ninguém mais tem paciência para palavras como “eternidade”, “infinito” e “sempre”. Talvez esse seja o motivo da diminuição de casais que optam por se unir no altar. Mesmo quando dois pombinhos verdadeiramente apaixonados encaram a aventura, nada é certo. O divórcio já está nos pensamentos antes mesmo do padre os declarar marido e mulher. Afinal, tudo pode dar errado e essa é a primeira solução que surge quando vêm os problemas.

Para Milo Boyd e Nicole Hurly, isso durou menos de um ano. Tão rápido quanto se apaixonaram, casaram e, por fim, se divorciaram. Anos depois, ambos voltam a se encontrar quando Milo, que trabalha como caçador de recompensas, descobre que tem de capturar sua ex-esposa. Eles acabam juntos em uma aventura de perseguição, fugindo de pessoas perigosas que querem pegar os dois: ela por ser uma repórter investigativa; ele por dever muito dinheiro de jogatina.

[SPOILER]

Os acontecimentos se passam com um sacaneando o outro e se desenvolve naquele clássico “eu te odeio porque te amo”. Claro que Milo e Nicole redescobrem seu amor, assumem os erros do passado e, bem, apesar da gracinha final, eles ficam juntos. (não se preocupem, não é saber disso que vai estragar o filme)

[/SPOILER]

O fato é que não é raro ver casais ainda apaixonados que acabam se separando. Decidem ficar longe um do outro por motivos pelos quais geralmente não querem ceder ou sequer entender. Criam um clima péssimo, começam a ter raiva um do outro e acabam em um divórcio hostil. Então, depois de anos, assim como Milo e Nicole, percebem que era tudo bobagem.

Assim como um casamento impulsivo, um divórcio precoce também cria pessoas infelizes. Quando se pode simplesmente terminar tudo, conviver é difícil demais. Mas ninguém disse que um relacionamento duradouro vinha sem brigas, idéias divergentes e/ou graves problemas. É nessas horas, em quer ter paciência é fundamental, que se prova quão forte é o casal.

Além disso, não há nada mais irritante do que aquele tipo de casal separado que todo mundo sabe que ainda se gosta, menos ele mesmo. Nem com alguma ação, personagens cômicos e vilões cheios de más intenções, conseguem se salvar. Mais fácil que resolvam seus problemas e não se divorciem. Assim, não somos obrigados a engolir histórias ruins de comédias românticas mal-escritas.

terça-feira, 30 de março de 2010

Cadê os Morgan? (Did you hear about the Morgans?)

http://www.sonypictures.com.br/Sony/HotSites/Br/cadeosmorgan/



Muitas coisas na vida exigem alguma adaptação. Seja porque a convivência com um mal inevitável surja ou apenas uma grande mudança ocorra, o desapego àquela acomodação estabelecida é, vez ou outra, muito necessário. Ceder, afinal, é um fundamento tão difícil de aprender quanto primordial para uma vida progressiva.

Para o casal recém-separado Morgan, essa era uma questão de vida ou morte. Por serem testemunhas-chave de um crime cometido por um perigoso assassino, a polícia lhes informa que o modo mais seguro de lidar com isso é entrar para o programa de proteção. O que, em suma, significa mandar dois nova-iorquinos – essência do ser urbano – para um daqueles lugares no meio do deserto, um nada com quilômetros e quilômetros de extensão.

A viagem, é claro, acontece. Paul e Meryl encaram a mudança com algum humor sarcástico, deixando para trás assistentes ansiosos, carreiras bem-sucedidas e supostamente família e amigos. Chegam com o jeito tímido a um lugar que só vai hostilizar seus modos de gente-de-cidade-grande e onde nem podem usar telefone e Internet. Paul, o inglês, e Meryl, adepta da cultura sofisticada da metrópole, convivendo entre chapéus de cowboys e estampas xadrez.

A inclusão e o ajustamento ocorrem, como é previsível. Com ajuda do casal Clay e Emma Wheeler, os dois aprendem a enxergar aquele lugarzinho com mais empatia e até se apegam à loja que vende suéter por $9,99. Meryl arranja uma maneira de continuar a exercer sua função como corretora, e Paul ajuda um dos moradores com questões jurídicas. Em pouquíssimos dias, é como se tivessem se transformado em amantes do sossego e dos costumes mais rústicos do povo de Wyoming.

É tudo uma questão de adaptação, como dito no começo. Se acostumar com algo pode ser tão fácil quanto Meryl e Paul nos ensinam em sua pequena aventura. Só nos falta saber se o próprio amor é uma dessas coisas. Já que a (falta de) química entre Sarah Jessica Parker e Hugh Grant não convence nem por um segundo na tela, quem sabe seja essa facilidade em se ajustar à convivência forçada a única resposta para o desfecho feliz. O amor acaba sendo apenas uma palavra para designar a união de duas pessoas que, no fundo, estão simplesmente habituadas uma à outra.

quinta-feira, 18 de março de 2010

O Amor Acontece (Love Happens)

http://www.lovehappensmovie.com/



Aquela velha máxima de que palpitar na vida dos outros é mais fácil do que resolver nossos próprios problemas destaca uma característica muito mais presente na alma humana do que gostamos de admitir: a hipocrisia. Pode ser uma palavra forte, chocante para os mais sensíveis, porém uma verdade inegável. Porque todos nós já vivemos alguma experiência em que dizer é bem mais fácil que fazer e sabemos que, quase sempre, a teoria é mais simples que a prática.

“Faça o que digo, não faça o que faço” é a filosofia que Burke Ryan (Aaron Eckhart) segue secretamente desde a primeiríssima cena, em que cortar os limões nos leva à objetiva conclusão de que o jeito é fazer a limonada; até que uma garrafa de vodca surge como o sinal de que talvez a limonada por si só seja amarga demais para os despreparados. Com essa introdução, começamos a descobrir um pouco sobre o autor de um best-seller de auto-ajuda conhecido nacionalmente, que se dedica a fazer grandes palestras e workshops para ajudar pessoas que perderam seus entes queridos.

Não é um drama profundo, tampouco uma comédia romântica habitual. O luto e a dor da separação são os temas centrais do plot, e apesar do amor acontecer (como diz o título), nesse caso ele tem que, de certa forma, terminar. Essa luta pelo encerramento vai mostrar o quão longo é o caminho para se “curar” e quanto Burke, um viúvo mal-resolvido, se engaja nessa causa – pelos outros.

Quando a excêntrica florista Eloise (Jennifer Aniston) surge, todas as teorias são voltadas contra ele mesmo. A mulher que não sabe escolher homens, trabalha em uma humilde loja e não sofre com nenhuma morte traumática, leva o exemplo nacional de superação a se confrontar com seus problemas, evidenciando o grande paradoxo que ele vive.

No fim, em vez do falso moralismo e de uma redenção clichê, as duas faces hipócritas de Burke nos levam a uma curiosa conclusão sobre interações sociais e emoções humanas: não é preciso ser mais que uma pessoa normal e cheia de problemas para aconselhar e ajudar alguém; mas superar certas dores requer uma força muito maior do que uma capaz de comover e consolar multidões. Isso sim faz um filme valer a pena, muito mais do que saber que o final é o velho e bom “felizes para sempre”.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Simplesmente Complicado (It’s complicated)

http://www.itscomplicatedmovie.com/



Amadurecer é, senão a mais, uma das coisas mais difíceis na vida. Primeiro porque, em essência, quer dizer envelhecer e segundo porque nenhum dos tantos aprendizados que se ganha vem sem um preço. Também, além de tudo isso, amadurecer é conseqüentemente ter vivido, o que pode ser um conceito tão abstrato que talvez seja impossível de definir como bom ou ruim. No entanto, todos sabemos, viver é a única alternativa que temos depois de nascer, o que torna a maturidade algo inevitável.

Duro, pode-se dizer, amadurecer também traz algumas coisas boas. Perde-se o ar da infantilidade, as frágeis ilusões que nos levam aos grandes tombos, e aprende-se a maior das lições: a de que nunca vamos ter experiência o suficiente para poder encarar tudo como o adolescente “invencível” que (acha que) tem o mundo nas mãos. E essa é, como Jane Adler vai nos mostrar, uma das coisas mais complicadas do viver.

Depois de um longo casamento, três filhos e mais 10 anos se ajustando como divorciada, Jane se vê em um ponto alto de sua vida: é a dona de uma padaria de sucesso, mantém uma boa relação com seu ex-marido, Jake Adler (Alec Baldwin) e se sente ótima consigo mesma. Ainda assim, essa feliz mulher começa a se sentir solitária, já que seu ex seguiu em frente, se casando com a sua então amante, e seus filhos já dão claros sinais de independência. É nesse momento que ela vai se deixar levar pela enorme burrada de começar um caso exatamente com Jake, a causa do sofrimento de tantos anos.

Fabulosa, como só Meryl Streep poderia, Jane expõe sua força e sua fraqueza, misturados nessa mulher-mãe-cozinheira-divorciada por quem é impossível não se apaixonar. Ela é aquele tipo de mulher que todas querem ser quando crescer: bem conservada, morando em uma casa linda, trabalhando naquilo que ama fazer, inteligente, interessante, cheia de vida... – vocês entenderam. Por isso, quem sabe, sua jornada louca nos absorva tanto. Jane, uma musa, envolvida em um tórrido caso com seu ex-marido.

É claro que não é uma situação favorável. O homem é casado e, além disso, eles já haviam tentando antes. Não é uma fórmula com muitas chances de acerto. Depois, temos também Adam Schaffer, um Steve Martin estranhamente sofisticado e atraente, que entra na vida dela como uma nova paixão. Adicionando a tudo um resquício de sentimento por parte de Jake Adler e uma Jane um tanto confusa, tudo acaba se enrolando. E o que parecia tanto conhecimento no longo currículo de vida, acaba sendo nada.

No final, resta a Jane recolher alguns cacos de todos esses acontecimentos. Aí é que chegamos à alma de toda essa história: o verdadeiro poder de sua maturidade. Porque por mais que ela continue errando, independente de sua idade, essa é uma mulher que não se deixa derrubar por dores e decepções; uma mulher cujas bases são tão concretas que não usa mais drama para se acertar. Não há lágrimas, não há brigas feias, nem trilha ultra-romântica ou ultra-depressiva. É apenas Jane, que sabe que pode se enganar e que ainda tem muito para aprender - não só sobre o mundo e a vida, mas principalmente sobre si mesma.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Idas e Vindas do Amor (Valentine’s Day)

http://www.valentinesdaymovie.com/



Dia dos Namorados, por mais que seja mais um golpe comercial para levar as pessoas a comprar, é inegavelmente um momento de reflexão para muitas pessoas – principalmente mulheres. Momento de lembrar que temos um amor e que – Graças a Deus! – temos companhia para esse dia, momento de fazer aquela surpresinha especial, reafirmar seu amor, ou simplesmente se amargar no sentimento de vazio e de solidão.

“Idas e vindas do amor” foi um jeito simpático de fazer essa reflexão. Como vários filmes desse estilo, reafirma as inúmeras diferenças que cada relacionamento carrega, como o amor pode surgir, como pode terminar ou apenas como ele é. Ótimo para quem procura aquela mensagem otimista do quanto o amor pode ser complicado – e até doloroso – mas que é necessário para uma vida “completamente” feliz.

Mas quem não conhece aquela história do melhor amigo que no fundo ama a melhor amiga e vice-versa? O apelo vamos-colocar-um-casal-gay-e-mostrar-nossa-sensibilidade? Ou a moça depressiva que odeia o Dia dos Namorados, mas que acaba com alguém no final? Sim, o filme é um show de clichês e não só em argumento, mas no jeito de apresentar as situações. Até o elenco, grandes estrelas de Hollywood, é só a repetição em massa daqueles nomes que sempre vemos nas produções relativamente fracas de comédia romântica. Para mim, foi uma decepção e desperdício de talento.

Depois de ver todas as histórias sufocando uma à outra pela falta de tempo para se desenvolver, você sai com aquela sensação de que nenhuma delas conseguiu de fato atingir. Talvez porque essa pressa em apresentar cada contexto não nos dê tempo de sentir empatia pelos personagens e também faça com que os conflitos pareçam superficiais e de fácil resolução. Isso é um grande problema dos filmes deste gênero, porque aparentemente basta jogar as situações bonitinhas para o público e deixar para lá as verdadeiras nuances que tornam essas histórias algo excepcional de se ver.

A maior decepção de todas, porém, é descobrir que aquelas ceninhas engraçadas do trailer não aparecem no filme em si. Não sei quem inventou que essa é a melhor maneira de anunciar uma estréia, mas seria mais interessante se não escolhessem justo a melhores sacadas para aumentar a expectativa do povo. Funciona comercialmente, só que é muito irritante.

Para você quem está procurando algo bem água com açúcar, o filme cumpre sua função. Porém, eu aconselharia assistir “Ele não está tão afim de você”, que é do mesmíssimo tipo que esse, mas muito melhor, acreditem.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Distante nós vamos (Away we go)

http://www.filminfocus.com/focusfeatures/film/away_we_go/



Quase meio mês sem postar e tenho que admitir que não trago grandes novidades, apesar de saber que há alguns filmes em cartaz que eu poderia comentar aqui. De qualquer forma, enquanto eu ainda não tenho tempo ou dinheiro para assisti-los, trago para o blog uma boa surpresa, atual o suficiente para ser de 2009, mas com certeza não para estar na tela de um cinema.

Burt (John Krasinsk) e Verona (Maya Rudolph) são um casal já concretizado e que na primeiríssima cena descobrem que estão grávidos. Sem o apoio esperado dos sogros, Verona sente que é hora de sacudir a vida descompromissada do casal e descobrir como formar uma família de verdade. Para isso, ambos vão sair pelos Estados Unidos à procura de um lugar em que se encaixem perfeitamente.

O clima é feito de um indie pop, cada vez mais em uso nas comédias românticas e dramas hollywoodianos (“Juno“, “500 dias com ela”), de maneira que na maior parte seja melancólico por causa desse sentimento de Burt e principalmente de Verona em relação a não saber ao certo o que fazer de suas vidas.

Não é preciso sequer uma cena em que a fala “Eu te amo” é pronunciada para sentir a ligação entre os dois e a vontade enorme para fazer essa família dar certo, e, para isso, eles vão encontrar várias famílias que possuem desde nenhum amor até amor demais para dar. Sim, é uma história do tipo “vamos procurar a resposta, aprender sobre nós mesmos e descobrir que já somos felizes”, o que de maneira nenhuma torna o filme chato. Talvez um pouco previsível, mas ainda assim válido.

Para quem já está familiarizado com as aflições de estar apaixonado e prefere não romantizar o futuro de um casal, o filme traz uma boa perspectiva das possibilidades de felicidade e infelicidade que formar uma família acarreta. O final pode até ser otimista, o que conhecendo Burt e Verona você já espera. Mas, de certa forma, também é algo necessário para qualquer casal que queira que sua vida conjunta dê certo.

No fim, a obra prova que contar uma história não se trata apenas de inovação, formatos loucos ou um enredo muito diferente de tudo o que já foi visto. Basta a sensibilidade aguçada para abordar um tema que não poderia ser melhor desenvolvido de outra forma, cenas que envolvam bem as problemáticas de seus personagens e, claro, uma trilha sonora bem pensada.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Encontro de Casais (Couples Retreat)

http://www.couplesretreatmovie.com/



É sempre bom ver que há gente querendo contar um pouco mais sobre o amor maduro, em que já não há novidade e nem envolve aquela paixão jovial que faz adolescentes cor-de-rosa suspirarem nas salas de cinema mundo afora.

“Encontro de Casais” é uma tentativa válida, de certa forma engraçada e bastante otimista de falar desse amor amadurecido. Entendendo que o objetivo do filme era muito mais discutir de forma divertida problemas gerais de diversos estereótipos de casais, é possível ao menos tentar ignorar o fato de que sua trama mexe com fatos superficiais e totalmente irreais.

Ainda que arranque algumas risadas, é difícil não sentir que o filme o obriga a engolir piadas e situações forçadas. Além disso, duas escolhas de atrizes também parecem bem bizarras de início: Kristen Bell, que faz a personagem Elle no seriado “Heroes”; e Malin Akerman, que fez a irmã mais nova de Katherine Heigl em “Vestida para Casar”. Nenhuma das duas é ruim e nem põem o filme a perder, mas são difíceis de convencerem como mulheres casadas há muitos anos, ainda mais quando temos uma garota de 20 anos no meio dos casais, cuja idade é parte das piadas do enredo. Não fossem as roupas, todas teriam aparência da mesma idade.

A resolução final não é uma grande surpresa, senão pela facilidade de como as coisas acontecem para que todos sejam felizes para sempre. Porém, não posso dizer que esse resultado não tenha sido avisado desde o começo da história. Não demora muito para percebermos que é uma produção “sente, assista e relaxe”, sem dar muito o que pensar ou refletir.

O cenário, por outro lado, é uma delícia. Acontece em um desses lugares paradisíacos, com praias maravilhosas e águas transparentes azuladas. É realmente inspirador para quem quer dar uma escapada com um companheiro, seja de pouco ou muito tempo.

Para quem pretende ver, não vá esperando muito e terá uma experiência muito melhor. Não que o filme tenha criado muita expectativa pela divulgação, mas ele ainda deixar a desejar e nem sei que vale mesmo o preço – muito alto, por sinal – de um ingresso de cinema.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

A verdade nua e crua (The ugly truth)

http://www.sonypictures.com.br/Sony/HotSites/Br/uglytruth/



Abby Ritcher (Katherine Heigl) entra em cena como a clássica mulher moderna, ocupadíssima com sua carreira e dada à idealização da figura masculina. Mike Chadway (Gerard Butler) contrapõe a heroína como o machista explícito, beirando a grosseria, mas simpático à sua maneira. E, é claro, os dois se apaixonam.

O filme começa querendo ser diferente, mas dificilmente sai dos clichês das comédias românticas. De novo, a velha e boa fórmula da hostilidade entre um homem e uma mulher que com o tempo se transforma em amor. Porém, uma vez que Katherine Heigl não consegue dar um tom menos estereotipado e exagerado à sua personagem, a paixão de Mike e conseqüentemente sua redenção como machista incorrigível, não consegue se justificar. No final, a mudança de comportamento só se salva pelo charme de Gerard Butler e nada mais.

A produção no geral é divertida, mas não chega a ser engraçada. Gerard Butler é uma ótima escolha para comédia romântica, porém não está nem aos pés de seu personagem em “PS: Eu te amo”. Katherine Heigl tinha um personagem até muito comum para interpretar, mas ainda se provou travada demais para convencer como a divertida protagonista de comédias românticas. E mesmo a interação entre ambos não parece bem desenvolvida, como se a paixão que surge nascesse do nada.

Mas não se desanimem, queridas fãs do gênero. O filme rende algumas risadas – mesmo que muito menos do que poderia ser – e ainda arranca suspiros das moças mais sensíveis. Então, para quem precisa de um filme leve e engraçadinho, “A verdade nua e crua” não é uma completa perda de tempo. E, convenhamos, ver Gerard Butler em cena vale 97 minutos da vida de qualquer um, não é mesmo?

O amor pede passagem (Management)

http://www.managementfilm.com/

[caption id="attachment_36" align="alignnone" width="480" caption="Mike e Sue"][/caption]

À primeira vista, “O amor pede passagem” não chama nenhuma atenção, escondido sob a divulgação de cartazes e título genéricos. A surpresa, no entanto, é que é um filme diferente dentro do gênero. Existe uma sobriedade muito rara que leva a história, de modo que ela não seja tão óbvia e explícita, e a coerência dos acontecimentos se mantém do começo ao fim.

Porém, a decepção é que nem o enredo e nem os personagens parecem alcançar aquela sensibilidade que faz falta até o final. Mike (Steve Zahn) é um amor de pessoa até o ponto em que se torna uma criança irritante, enquanto que Sue (Jennifer Anniston) parece uma parede frígida a tudo o que acontece. Entre encontros e desencontros frustrantes entre os dois, você aprende que de certa forma é assim mesmo que cada um deveria ser, mas que com certeza ainda falta certo carisma e uma ligação que evitaria bocejos durante os 94 minutos de filme.

A produção não é ruim e tem sua potencialidade. Mas devo alertar que possui muito menos de comédia do que o gênero supõe e o desfecho não chega a emocionar. Ainda assim, vale a pena para quem está cansado da mesmice das comédias românticas e está procurando por algo ligeiramente diferente.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

500 dias com ela ((500) days of Summer)

http://www.500diascomela.com.br/



Mulheres, se vamos falar de um filme nada romântico e totalmente sensível, vamos dar uma olhadinha em “500 dias com ela”.

O monstro maléfico se chama Summer (Zooey Deschanel), uma moça bonita e excêntrica que se torna alvo do amor infinito de Tom (Joseph Gordon-Levitt). A premissa não é nova: o garoto, que não tem nada de especial, se apaixona pela moça e aos poucos se aproxima até conseguir conquistá-la. A moça aceita uma relação casual, mas está longe de querer alguma coisa séria, enquanto Tom não consegue abandonar a idéia de que é ela, e somente ela, que quer como namorada.

O filme é uma poesia de interação de personagens. Apesar de muitas vezes cruel, massacradora do coraçãozinho do protagonista, Summer é apaixonante. É a típica mulher-livre, artística, passando pela vida sem procurar por nada. Tom, por sua vez, é o clássico jovem sonhador, apegado e romântico. Quando ambos se encontram, um relacionamento toma forma e as várias cenas entre os dois são puro suspiro. Assisti-los é um prazer, não só pela personalidade única de cada um, mas pela personalidade única do casal em si, cheia de detalhes sensíveis que o roteirista nos fez o favor de inserir.

Como produção cinematográfica, “500 dias com ela” nos leva a uma deliciosa viagem de recursos e efeitos que não têm nada de novo, mas são usados com maestria. O enriquecimento da narrativa não só veio de um roteirista inspirado como foi reforçado pelo toque sutil e bem humorado do diretor, Marc Webb. E, contrariando expectativas, o final não é previsível nem uma grande surpresa, é apenas a evolução natural de dois personagens bem construídos.

Zooey Deschanel é linda e usa seus atributos, como os grandes olhos azuis, para montar sua personagem muito bem. Sobre Joseph Gordon-Levitt, eu tenho que admitir, não vi nenhum filme dele desde “10 coisas que eu odeio em você”. Mas achei sua performance muito legal, porque ao mesmo tempo que é possível vê-lo como o cara bobo que só vai atrás da mulher, também cria empatia que faz você gostar e torcer por ele.

O filme é uma boa pedida. Pode parecer uma crítica parcial ou puxa-saco, mas há muito tempo que não vejo um filme assim tão sensível, bem feito e, apesar da mensagem ligeiramente melancólica ao final, com pitada adorável de fantasia. E se Tom em momento nenhum reage de fato contra as ações destrutivas de Summer, o autor deixa sua própria mensagem, no começo do filme:

“Any resemblance to people living or dead is purely accidental ... Especially you Jenny Beckman ... Bitch."

27 Dresses (Vestida para casar)

http://www.27dressesthemovie.com/



Katherine Heigl é uma moça bonita e simpática e estava até bem no seriado Grey’s Anatomy. Só que ainda é muito difícil se convencer de seus papéis como a mocinha de uma comédia romântica. Não que ela atue mal, mas seu carisma está longe de alcançar uma Sandra Bullock e ainda comete exageros, como quando sua personagem reage ao encontrar com o chefe Hal, por quem é apaixonada.

Por outro lado, nosso nem tão adorado Ciclope de X-Men, James Marsden, caiu muito bem como um repórter ligeiramente frustrado com o andamento de sua carreira. Bonito, charmoso e fofinho, como eu pessoalmente gosto, Kevin, seu personagem, consegue conquistar a simpatia. Até então, em alguns filmes que o tinha visto, ele pouco chamava atenção e poderia até se tornar um cara irritante. Tá certo que competir com outras figuras masculinas, como Hugh Jackman (X-Men) e Ryan Gosling (Diário de uma paixão) é covardia, mas mesmo assim era uma falta de sal para a qual não havia justificativa. Aparentemente, ele consegue se redimir neste filme, com destaque especial para a cena da manhã seguinte no carro, em que ele traz o café para nossa protagonista, Jane.

O argumento não chega a ser interessante, mas também não fere. A moça é a madrinha de casamento de todas, adora cuidar de todo mundo e não tem tempo de prestar atenção em sua própria vida. O moço é um repórter cínico e frustrado que se vê preso na Seção de Casamentos do jornal em que trabalha. Infezlimente, o roteiro não consegue desenvolver bem nenhum dos dois personagens e tampouco compensa com cenas engraçadas (que, na minha opinião, poderiam ser muito melhores). Se em nenhum momento Jane nos convence que faz tudo o que faz por amor ao próximo, Kevin muito menos nos leva a ver seu lado sombrio e frustrado, não fosse por diálogos que revelam seus segredos esporádica e aleatoriamente.

Outro problema é que é previsível demais quando usa a velha fórmula: no começo se odeiam, até que aquele sentimento especial cresce, daí alguma coisa faz eles brigarem feio e depois, é claro, voltam e vivem felizes para sempre.  A partir do momento que tomamos conhecimento da pretensão de Kevin em escrever sobre a estranha obsessão de Jane em seu jornal, é possível já rascunhar na cabeça tudo o que vai acontecer e, para nossa decepção, acontece mais ou menos assim mesmo.

De qualquer forma, a narrativa e o clima dados pela diretora Anne Fletcher é simpático e leve, o que nos leva a torcer pelo casal. A melhor amiga de Jane, Casey (Judy Greer), é uma das melhores personagens do filme apesar de ser coadjuvante, juntamente com a irmã irritante, Tess (Malin Akerman), que também é uma das mais coerentes na história. No fim, o filme é bonitinho e cumpre seu papel para quem precisa de algum romance de vez em quando. E, querendo ou não, a cena que mostra alguns dos 27 vestidos de Jane é divertida e dá inúmeras idéias criativas para quem não pretende se casar da forma clássica.