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quinta-feira, 15 de abril de 2010

E o Oscar vai para...

http://sandrabullockfan.com/
(não é oficial, mas foi o mais completo que achei)



Sandra Bullock, a rainha das comédias românticas. Estourou em “Velocidade Máxima” (aquele do ônibus que não pára; com o Keanu Reeves) e ingressou em sua especialidade em “Enquanto você dormia” (clássico da Sessão da Tarde). Isso mesmo, foi nesse filme que Sandra ficou conhecida pelo tipo de personagem em que melhor se encaixa: aquela garota comum, cheia de defeitos e problemas, de personalidade carismática e que acaba se apaixonando.

Sua popularidade era visível desde adolescente quando, diferente dos papéis que assume, foi chefe de torcida e namorou um jogador de futebol americano. Hoje, além dessa baita estrela de Hollywood, ela é dona de alguns negócios, como a produtora Fortis Films. Um exemplo de mulher bem sucedida e a queridíssima das histórias de amor no cinema.



Agora, em 2010, finalmente é presenteada com uma estatueta do Oscar. Leigh Anne Tuohy (do filme “Um sonho possível”) não é o melhor exemplo de boa atuação em seu currículo, mas talvez fosse mesmo sua única chance de ganhar algo da Academia. Poucos papéis em sua carreira atingiram a densidade que Leigh Anne tinha a oferecer. Uma mãe de família que não tem nada de especial, a não ser pelo fato de que resolve ajudar, sem motivo aparente, um garoto carente.

Ela continua sendo nossa Sandra de sempre: o jeitinho atrevido, porém gentil de ser. O verdadeiro crédito desse trabalho, porém, foi ter feito essa personagem sem cair na estereotipia da mãe-de-todos. Seria fácil virar uma Madre Teresa de Calcutá da vida, pensando na mulher que traz um total estranho para dentro de casa a fim de ajudá-lo. Mas há algo de muito natural nessa dona-de-casa, que desperta em nós não o sentimento de idolatrá-la como uma santa e sim o de que poderia ser qualquer um de nós, abrindo o coração daquela maneira.

Infelizmente, a festa por ganhar o prêmio tão cobiçado durou pouco. Dizem que existe um tipo de maldição em cima de ganhadoras do Oscar como melhor atriz em que elas acabam se divorciando. Sandra Bullock não conseguiu fugir disso e há pouco tempo surgiu um circo em volta de seu casamento com o construtor de carros e motos, Jesse James. Aparentemente, o maridão traiu Sandra com várias mulheres enquanto estavam casados e agora ele entrou para uma clínica de reabilitação para curar seu suposto vício em sexo. Ela ainda não fez nenhum comentário oficial sobre o assunto, então é difícil saber o que vai acontecer.

De qualquer maneira, o que quer que ela resolva, esperamos continuar a vê-la em filmes como “Miss Simpatia”. Eles não ganham Oscar, mas, convenhamos, são o mais divertidos!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Um sonho possível (The blind side)

http://wwws.br.warnerbros.com/theblindside/



Se considerarmos o mundo em que vivemos e as informações que chegam a nós de hora em hora durante um dia, é impossível crer na vida de Michael Oher senão como uma fábula. O menino negro que nasce e cresce no coração da miséria e decadência humana consegue sua entrada em uma escola particular. Observando-o afundar nesse mundo que ele desconhece, uma família branca decide abrigá-lo, ajudá-lo e, por fim, adotá-lo. Então, com o esforço de professores e treinadores, ele vira esse baita jogador de futebol americano de bom caráter e bem-sucedido.

Difícil acreditar que essa sucessão de coisas boas possa acontecer a alguém quando meninos morrem por dez reais nas favelas brasileiras. Mas aconteceu, em uma narrativa tão leve e tão direcionada para a felicidade, como se todas as famílias ricas estivessem prontas para doar seu sangue por alguém e meninos tão bons nascessem em toda má vizinhança, que só é possível engolir tudo isso quando sabemos que é baseado na vida de alguém real. Inacreditável, mas Michael Oher existe.

É interessante observar que o próprio roteirista da vida possa ter concebido um caminho tão “exato” para alguém. E só ele mesmo para ter tanto crédito para fazer um roteiro assim dar certo. Porque não é uma questão de observar um exemplo de bondade e guardar este sentimento até que um moleque venha roubar sua bolsa, mas de saber que coisas assim podem de fato acontecer no mundo real. Simples, leve, certo. Dessa forma, como os resistentes sonhadores da nossa sociedade gostam tanto de pensar.

Pode ser de um simplismo grande demais resumir o conceito de bondade em uma história quase insossa de tão certinha, que luta contra todas as estatísticas que conhecemos. No entanto, quem sabe seja isso que as pessoas precisem. Faz falta às vezes ver alguma bondade de graça, sem aqueles argumentos cheios de reviravoltas só para calar as perguntas que nosso mundo complexo de hoje não nos deixa ignorar. Quem sabe seja simplicidade que nos falte para chegar às melhores soluções dos problemas.

E se você ainda pensa que, no fundo, nunca conseguiria ser tão altruísta como Leigh Anne, não se preocupe. Esse não é um filme sobre o altruísmo de uma pessoa. Porém, é um filme sobre uma pessoa exemplar. Porque o bonito não é vê-la se doando pelo garotão da periferia e sim sentindo um sincero prazer em fazê-lo. Talvez disso possamos concluir que a verdadeira mensagem é que não é de sacrifícios que esse mundo precisa, mas de pessoas com um coração tão acolhedor quanto o dela.

- E parabéns pela bela atuação de Sandra Bullock! -