Atenção: Para ler os trechos com spoiler é necessário clicar no título do post, acessando assim a página específica dele. Dessa forma, ao clicar no botão (que fica no meio do texto), a parte oculta do texto será revelada.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Amor a Toda Prova (Crazy Stupid Love)
Crianças, lição do dia: o amor é absoluto. Sobrevive a traições, divórcios, solteirões incorrigíveis e tantas outras situações inusitadas. Você acredita?
Meu convite hoje é para que mergulhemos nesse mundo cor-de-rosa por algumas horas e nos deixemos levar pelo desejo dos apaixonados. O passeio é menos açucarado do que parece, apesar de levar uma inevitável pitada de pieguice, e pode ser gostoso graças ao ritmo envolvente de Amor a Toda Prova.
Robbie Weaver (Jonah Bobo) é filho de Cal Weaver (Steve Carell) e vive a dúvida sobre o amor eterno justamente em uma das épocas mais complicadas da vida: os 13 anos. É ele que, em meio a todos os dramas de sua família, vai sustentar a essência inocente e fundamental para quem deseja viver um grande amor. E por isso que, no fim, toda essa história de alma gêmea parece tão possível.
É durante um jantar a dois que Emily Weaver (Julianne Moore) pede o divórcio e conta ao marido que o traiu com David Lindhagen (Kevin Bacon), um colega de trabalho. Recém-separado, Cal reaprende a ser solteiro com Jacob Palmer (Ryan Gosling), um expert em conquistar mulheres no bar.
Nesse cenário, experimentamos um pouco de cada tipo de relacionamento: maduro, novo, breve e até mesmo o platônico. O clichê, é claro, está por todo lado, mas é usado com sensibilidade. E para fechar, temos Emma Stone como Hannah, que muda o curso da história e traz a revelação que nos leva ao mais divertido clímax que assisti nos últimos meses.
Afinal, o amor verdadeiro e almas gêmeas existem? Às vezes, nem que seja só por algumas horas, é saudável acreditar que sim.
terça-feira, 1 de maio de 2012
Para Sempre (The Vow)
Eu gosto de pensar que filmes de drama ou comédias românticas estão aí para alimentar aquela parcela de mulheres (e homens também - por que não?) que ainda não desistiram de encontrar aquele único, marcante e verdadeiro amor. Por outro lado, dizem os realistas que isso é coisa de romântico sonhador e que é errado sustentar esse tipo de sentimento.
Não é que eles estejam errados. Mas esses amores existem, sim. Ainda que não sejam esse conto de fadas, tão fácil e espontâneo; eles existem. E que mal há em nutrir esse sonho em um mundo em que relacionamentos começam e acabam como a chama de uma vela de aniversário?
Para Sempre é mais um desses filmes que vêm nos despertar o sentimento de inveja em relação ao casal perfeito. Apaixonados, unidos, essencialmente felizes. Não só acharam um ao outro, como têm essa vida perfeita. Eles não brigam, resolvem seus problemas juntos. Nos primeiros minutos, você já está suspirando e pensando quando é que a vida vai trazer isso para você.
Porém, à parte dos clichês, Para Sempre é um balde de água fria. Nos ensina que essa história de mente separada de coração é bobeira e que basta um instante e uma boa batida na cabeça para acabar com uma linda história de amor. Sim, uma amnésia significa perder qualquer resquício de empatia por aquela pessoa especial. E de forma alguma o filme tenta dizer o contrário.
Mesmo que opte por não fantasiar a situação, a produção traz uma mensagem positiva. Muitos podem ter se decepcionado com o final "sem graça", mas é refrescante ver que, às vezes, é na própria realidade que estão as resposta por nossas ânsias e desejos. O filme é baseado em uma história real, o que o torna ainda mais bonito. E, disso, vem a confirmação: o verdadeiro amor pode superar grandes obstáculos - sem as soluções milagrosas de roteiristas criativos.
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Missão Madrinha de Casamento (Bridesmaid)
Annie Walker vem nos mostrar - assim como muitas protagonista já o fizeram e tantas outras farão no futuro - que ser feliz não é tarefa fácil. E não há nada como um Senhor Inferno Astral para trazer à tona as tantas coisas que estão erradas em sua vida. No amor, em primeiro lugar. Depois, é claro, no trabalho. Por fim e não menos importante, no cultivo das pessoas importantes, que fazem diferença.
A narrativa se desenvolve ao redor dos tradicionais preparativos de uma festa de casamento, que, por mais ridicularizados que sejam, jamais deixam o imaginário das futuras brides-to-be. A noiva e melhor amiga de Annie mergulha no mundo narcisista do matrimônio e arranja uma nova amiga - disposta a apresentá-la a tudo de melhor no mercado do casamento. A partir disso, nossa protagonista parece mergulhar cada vez mais fundo em uma vida de falhas e infelicidade.
A história não é nova e nem traz perspectivas inovadoras. No final, após uma cansativa série de acontecimentos improváveis e o aparecimento de inúmeros possíveis culpados pelos grandes problemas de sua vida, Annie chega à resposta que deixaria qualquer terapeuta orgulhoso: seu inimigo é ela mesma.
Porém, nada disso quer dizer que o filme não valha os 130 minutos. A história tem passagens engraçadas, Kristen Wiig consegue conquistar a empatia da plateia e Melissa McCarthy é uma deliciosa surpresa para a trama. É bom ver uma conclusão que não traga soluções mágicas, pois às vezes até mesmo comédias românticas precisam de um toque realista.
E, assim como é clichê no mundo fictício, Annie traz um problema bem comum da vida real. Todo espectador é muito esperto, mas 99% dos protagonistas é óbvio. Talvez porque a própria realidade não traga muitas inspirações criativas e originais. Afinal, são as Annies do mundo real que sentam suas bundas na poltrona para julgar problemas 'fáceis' dos personagens estúpidos desses roteiros.
Ou talvez o objetivo dessas produções seja exatamente destacar toda essa hipocrisia. Quem sabe?
sábado, 8 de maio de 2010
Alice no País das Maravilhas (Tim Burton’s Alice in Wonderland)
Nova categoria: Sem açúcar. Porque alguns filmes que não são direcionados especialmente para mulheres melosas valem serem comentados. :)
http://adisney.go.com/disneypictures/aliceinwonderland/
Fantasiar é um costume natural. Nos liberta da prisão existencialista e nos eleva ao status da possibilidade. É a fé de que nenhum de nós é capaz de se livrar, pois, sem ela, o mundo é apenas realidade. Talvez seja loucura - a pitada que todo homem são possui -, mas não há nada que pudesse ser mais desesperador do que possuir somente a simples e pura realidade.
A história da pequena Alice é uma dose dessa abstração que fascina. Em ódio ou adoração, são apenas formas de se conformar com o pouco de alucinado que todos temos. Alguém poderia ser indiferente a tal insanidade? Claro, porque nesse mundo tudo pode. Mas é Alice, a lenda; sonhos, pesadelos e o surreal em uma só. Por isso, quando um dos diretores mais pirados de Hollywood nos deu a notícia de que daria seu toque próprio ao País das Maravilhas, o planeta inteiro se deslumbrou.
Alice aparece de primeira na telona da forma mais inesperada: a apática criatura que se deixa levar. Acredito que essa seja a primeira e principal decepção a que Burton nos submete. Alice é um poço de ceticismo por trás de um rosto tediosamente inexpressivo e mesmo que tente se recuperar ao final, não chega à redenção. O mundo à sua volta a puxa, quando deveria ser ela a desvendar o maravilhoso. Até o chapeleiro nem tão louco tem que criar uma paixão que a faça reagir.
A saga continua em ritmo simplista. De um lado, a malvada Rainha de Copas, que roubara o reino para si. Do outro lado do país, que não leva mais que alguns minutos para ser atravessado,está a bondosa Rainha Branca, que pretende recuperar sua coroa. Por esses caminhos, Alice cavalga livremente, desprovida de paixão, enquanto se aproveita de sua conveniente licença para fazer o que bem entender em uma terra que interessa a todos, menos a ela. Dessa forma, nos vemos abandonados em nossas expectativas: sem Alice espevitada, sem País das Maravilhas, apenas o dragão que não dura nem pra fazer arranhão naquele rosto imutável.
Alguns podem acreditar que Burton nos iludiu, mas a verdade é que nós é que nos iludimos com ele. A combinação da demência de Alice com a essência mórbida do diretor não poderia ser mais perfeita em teoria. Porém, quem sabe, a maluquice de Lewis Carroll (Charles Lutwidge Dodgson) fosse já uma fantasia completa; algo que não suportaria mais.
Apesar de tudo, é inevitável notar que Alice é uma grande inspiração. Uma fantasia que nos leva tão longe, mas tão longe, que nem tamanha competência cinematográfica conseguiu levar além. E, mesmo assim, fantasiamos. Quando mais uma vez a realidade traz decepção, somos instigados a escapar. Mas não para nos afastarmos de Burton, de sua criação; fantasiamos para chegarmos mais perto daquilo que todos sabíamos que esse filme poderia ser.
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Caçador de Recompensas (The Bounty Hunter)
Pode parecer retrogrado falar dessa maneira, mas casamento é uma daquelas coisas que deveriam durar para sempre. É um conceito de muito tempo: até que a morte nos separe. Se alguém tem a vontade de afirmar tal coisa, então deve realmente gostar da pessoa para quem diz.
Porém, hoje quase ninguém mais tem paciência para palavras como “eternidade”, “infinito” e “sempre”. Talvez esse seja o motivo da diminuição de casais que optam por se unir no altar. Mesmo quando dois pombinhos verdadeiramente apaixonados encaram a aventura, nada é certo. O divórcio já está nos pensamentos antes mesmo do padre os declarar marido e mulher. Afinal, tudo pode dar errado e essa é a primeira solução que surge quando vêm os problemas.
Para Milo Boyd e Nicole Hurly, isso durou menos de um ano. Tão rápido quanto se apaixonaram, casaram e, por fim, se divorciaram. Anos depois, ambos voltam a se encontrar quando Milo, que trabalha como caçador de recompensas, descobre que tem de capturar sua ex-esposa. Eles acabam juntos em uma aventura de perseguição, fugindo de pessoas perigosas que querem pegar os dois: ela por ser uma repórter investigativa; ele por dever muito dinheiro de jogatina.
[SPOILER]
Os acontecimentos se passam com um sacaneando o outro e se desenvolve naquele clássico “eu te odeio porque te amo”. Claro que Milo e Nicole redescobrem seu amor, assumem os erros do passado e, bem, apesar da gracinha final, eles ficam juntos. (não se preocupem, não é saber disso que vai estragar o filme)
[/SPOILER]
O fato é que não é raro ver casais ainda apaixonados que acabam se separando. Decidem ficar longe um do outro por motivos pelos quais geralmente não querem ceder ou sequer entender. Criam um clima péssimo, começam a ter raiva um do outro e acabam em um divórcio hostil. Então, depois de anos, assim como Milo e Nicole, percebem que era tudo bobagem.
Assim como um casamento impulsivo, um divórcio precoce também cria pessoas infelizes. Quando se pode simplesmente terminar tudo, conviver é difícil demais. Mas ninguém disse que um relacionamento duradouro vinha sem brigas, idéias divergentes e/ou graves problemas. É nessas horas, em quer ter paciência é fundamental, que se prova quão forte é o casal.
Além disso, não há nada mais irritante do que aquele tipo de casal separado que todo mundo sabe que ainda se gosta, menos ele mesmo. Nem com alguma ação, personagens cômicos e vilões cheios de más intenções, conseguem se salvar. Mais fácil que resolvam seus problemas e não se divorciem. Assim, não somos obrigados a engolir histórias ruins de comédias românticas mal-escritas.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
E o Oscar vai para...
(não é oficial, mas foi o mais completo que achei)
Sandra Bullock, a rainha das comédias românticas. Estourou em “Velocidade Máxima” (aquele do ônibus que não pára; com o Keanu Reeves) e ingressou em sua especialidade em “Enquanto você dormia” (clássico da Sessão da Tarde). Isso mesmo, foi nesse filme que Sandra ficou conhecida pelo tipo de personagem em que melhor se encaixa: aquela garota comum, cheia de defeitos e problemas, de personalidade carismática e que acaba se apaixonando.
Sua popularidade era visível desde adolescente quando, diferente dos papéis que assume, foi chefe de torcida e namorou um jogador de futebol americano. Hoje, além dessa baita estrela de Hollywood, ela é dona de alguns negócios, como a produtora Fortis Films. Um exemplo de mulher bem sucedida e a queridíssima das histórias de amor no cinema.
Agora, em 2010, finalmente é presenteada com uma estatueta do Oscar. Leigh Anne Tuohy (do filme “Um sonho possível”) não é o melhor exemplo de boa atuação em seu currículo, mas talvez fosse mesmo sua única chance de ganhar algo da Academia. Poucos papéis em sua carreira atingiram a densidade que Leigh Anne tinha a oferecer. Uma mãe de família que não tem nada de especial, a não ser pelo fato de que resolve ajudar, sem motivo aparente, um garoto carente.
Ela continua sendo nossa Sandra de sempre: o jeitinho atrevido, porém gentil de ser. O verdadeiro crédito desse trabalho, porém, foi ter feito essa personagem sem cair na estereotipia da mãe-de-todos. Seria fácil virar uma Madre Teresa de Calcutá da vida, pensando na mulher que traz um total estranho para dentro de casa a fim de ajudá-lo. Mas há algo de muito natural nessa dona-de-casa, que desperta em nós não o sentimento de idolatrá-la como uma santa e sim o de que poderia ser qualquer um de nós, abrindo o coração daquela maneira.
Infelizmente, a festa por ganhar o prêmio tão cobiçado durou pouco. Dizem que existe um tipo de maldição em cima de ganhadoras do Oscar como melhor atriz em que elas acabam se divorciando. Sandra Bullock não conseguiu fugir disso e há pouco tempo surgiu um circo em volta de seu casamento com o construtor de carros e motos, Jesse James. Aparentemente, o maridão traiu Sandra com várias mulheres enquanto estavam casados e agora ele entrou para uma clínica de reabilitação para curar seu suposto vício em sexo. Ela ainda não fez nenhum comentário oficial sobre o assunto, então é difícil saber o que vai acontecer.
De qualquer maneira, o que quer que ela resolva, esperamos continuar a vê-la em filmes como “Miss Simpatia”. Eles não ganham Oscar, mas, convenhamos, são o mais divertidos!
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Uma noite fora de série (Date Night)
Buscar o novo é uma coisa muito típica do ser jovem. Eu não falo de idades específicas, mas de uma juventude que muita gente possui até os 30 anos e que outros não conseguem largar nunca mais. Acredito que a razão disso seja essencialmente a fome natural por emoção. O conhecer, porque quanto menos idade mais coisas a descobrir, e depois apenas o vício nessa sensação da eterna possibilidade aberta.
Por outro lado, temos a parte mais ‘chata’ do viver: o caminho do se acomodar e prender-se a bases concretas de uma rotina. Aquele tipo de história que ninguém planeja ter, ninguém se interessa em ouvir e ninguém se imagina vivendo. Mesmo que, no final, a grande maioria acabe mais ou menos nisso, como os Foster.
Como o chefe de família, Phil (Steve Carrell) trabalha. A mãe, Claire (Tina Fey), cuida da casa e dos dois filhos. E, uma noite por semana, o casal sai sozinho em um encontro. Sem-graça, como os estereótipos já simbolizam. A paródia da vida de casado continua até que o sino de alerta toca: um casal de amigos de ambos que, como eles, estava acomodado por um bom tempo e, por isso, resolve pelo divórcio. A crise faz voltar o espírito da jovialidade, a vitalidade sem igual e a busca pelo novo, há muito tempo abandonada. Contaminados por isso, Phil e Claire acabam comprando essa idéia juntos.
O resultado é uma noite absolutamente improvável, em que os Foster vão colocar à prova suas faces mais radicais. Começam com uma janta em um lugar badalado no centro de Nova Iorque e acabam se envolvendo com assuntos políticos, policiais corruptos, informações secretas e até prostituição. Para salvarem suas vidas vão roubar, bater carros, conhecer gente distante de seu singelo círculo social e executar planos perigosos.
Interessante, apesar de toda emoção e humor, é notar que em momento nenhum o casal se separa. Pode ser um detalhe idiota em um filme tão previsível com mensagem tão óbvia. Porém, acredito que seja importante reforçar esse ponto sutil do filme: que nem todo casal precisa de uma pseudo-separação para saber que quer ficar junto. Na verdade, eles ficam unidos do começo ao fim e, claro, eles redescobrem um ponto importante do casamento.
Acontece que não é o sentimento de amor esse ponto que eles precisavam reavivar. É exatamente essa capacidade de encarar o novo, mais emoções, um desconhecido. Dar um toque em suas vidas, pois todo ser humano precisa se renovar. Não só isso, aprendem também que uma boa convivência não se trata somente da parte estável e desinteressante da vida, mas de ter alguém com quem dividir até mesmo seu lado mais jovial e imprevisível de ser. Isso sim é que é um amor maduro.


